domingo, maio 14, 2017

Provincianismo & Turismo Rural &...

Turismo Rural é ir passar uns dias ao campo (esterilizado). 
Provincianismo é querer partilhar (à força) as recordações que de lá traz.
Querer partilhar as recordações (esterilizadas) é snobismo.
Ir passar uns dias ao campo (à força) é nazismo.

quarta-feira, maio 10, 2017

Santa Fe





"Time moves differently in Santa Fe. It's unscheduled, strange, and difficult to explain unless you live here. It is my feeling that this is what he's referring to when he says, "Your days in one, this day undone, all day at once."


"Whatever comes through the door I'll see it face to face all by your place" to me reminds me of many, many moments my friends and I have spent together talking about life and death, looking at them and examining it together to reach a higher consciousness. Everyone I have met here is so conscious, it's lovely.

I love the reference to the cross of the martyrs. For the younger, non-tourist folk who live here, it's not about a monument to a "martyr" (a man who slaughters many Native Americans becomes a martyr when he's killed by one? What?), it's about watching the sunset from the highest point in town and seeing the entire sky bowl and 4 different mountain ranges. The cross is a perfect place for Santa Fe to sign you up into the "land of entrapment". If you live here, and vibe here, you never really leave.

"I alone want you to know" to me, means that this town is no longer for the young local folk. We want it all to ourselves, but it's pretty overrun by rich people with their 4th homes and tourists. It's loosing its juju because too many people come here for the wrong reasons. We need more conscious young folk to come! I think that is what a lot of this song is about. How he wants the local, real Santa Fe, but it's getting harder and harder to hold on to. He doesn't talk about the Plaza, the epicenter of tourism and perversion of Santa Fe, which makes me think that this is true."

sexta-feira, maio 05, 2017

Quando chove revela-se uma cidade nova


Quando chove revela-se uma cidade nova


Quando chove revela-se uma cidade nova


Quando chove revela-se uma cidade nova


Quando chove revela-se uma cidade nova


Quotidiano urbano


Pode-se avançar para o Céu



Amanhecer em Lisboa



quarta-feira, abril 12, 2017

William Shakespeare, in “Sonetos”






Comparar-te a um dia de verão?
Há mais ternura em ti, ainda assim:
um maio em flor às mãos do furacão,
o foral do verão que chega ao fim.
Por vezes brilha ardendo o olhar do céu;
outras, desfaz-se a compleição doirada,
perde beleza a beleza; e o que perdeu
vai no acaso, na natureza, em nada.
Mas juro-te que o teu humano verão
será eterno; sempre crescerás
indiferente ao tempo na canção;
e, na canção sem morte, viverás:
Porque o mundo, que vê e que respira,
te verá respirar na minha lira.

quarta-feira, abril 05, 2017

À sombra das velhas em ramos mortos


A. a nossa geração aburguesou-se. Agora a medo, ostenta. Numa falta de coragem tão doentia como cómoda. Os anos passaram e atura as gelhas no corpo e no espírito com que envelheceu. Actualmente com o rosto dos seus avôs, sem perceber bem o espelho e o que foi do calendário. Há muito que poisou os ideais que não teve a sério. Mas também nunca fez nada a sério... Não lutou, não conquistou, não trabalhou...e a dignidade nunca apareceu. Viveu para ver os outros triunfarem e para os finais de semana, numa melodia ligeira de vida. Persiste no equívoco de que com o efeito harmónico do eterno retorno há-de regressar ciclicamente a anteriores dias melhores... 

segunda-feira, abril 03, 2017

O serralheiro responde à Maria José



ENCONTRO À JANELA DA VIDA.  
Helena Feital*

Menina Maria José

Desculpe esta carta porque se calhar não é o melhor momento para o fazer, mas se não lhe escrevesse ia arrepender-me. Já ando para pegar numa caneta e ser eu. Verdadeiro e sincero no que escrevo. Há quanto tempo, nem sei!
Vejo-a tantas vezes à janela passando o tempo e sei que conforme os dias, está mais triste, ou mais risonha. Gosto de ver esse sorriso e esse olhar que brilha mais com o entusiasmo.
Como naquele dia em que o gato se pegou à pancada com o cão, lembra-se?
Foi quando o nosso olhar e o nosso riso se encontraram pela primeira vez. E de repente, senti um calor desconhecido no meu peito. Fiquei atarantado, porque nunca tinha sentido tal afecto, por nenhuma mulher.
Gostei da sua cara muito jovem e inocente e ainda mais dos seus olhos lindos e inteligentes, cheios de amor.
Disseram-me que a sua saúde não anda muito bem e que os seus problemas são graves. Peço-lhe, não perca a esperança! Mantenha-se igual nessa ideia de se dar às pessoas.
Porque eu sei que o que vê da sua janela não tem maldade e muito menos a intenção de dizer mal sobre alguém. É a vida para lá disso que os seus olhos procuram constantemente. O carinho.
Não sou homem para lhe dar ilusões de mentira. Isso não é comigo. Mas sou o homem que lhe propõe uma grande amizade. Sou o seu amigo, inteiro e de coração. E a amizade é um sentimento cheio de amor, não acha?
Por isso, sempre que quiser desabafar, o meu ombro amigo está à sua espera. Talvez duma carta sua, quem sabe?
Sei que já me viu com uma rapariga loura, não é assim?
Pois, eu sou um homem que gosta de companhia. Às vezes mal, outras vezes nem dou por isso, mas já amei e ficou comigo o desgosto. Bom, chega de falar de mim.
Já agora, o que me diz de eu a levar através desta carta, até à minha oficina, onde sou serralheiro?
Aqui trabalhamos o ferro que moldamos com o fogo e martelada, após martelada, até conseguirmos dar-lhe a forma que pretendemos. Têm saído daqui obras de que me orgulho. Das nossas mãos surgem lindas varandas de ferro forjado com desenhos arredondados que são a forma de lhes dar vida. Retorcidos, encaracolados, arcos que formam, como diz a minha mãe, “rendas de ferro”.
Aqui na sua rua, mesmo lá em cima, há um prédio com varandas assim e tem também a porta de madeira onde abriram espaço para pôr vidro e por cima dele, desenhámos uma composição em ferro forjado de que toda a gente gosta.
Chego a pensar que Campo de Ourique vai ter muitos prédios assim que, no futuro, serão considerados obras de arte. O nosso bairro será reconhecido pelo seu gosto à arte e à poesia, grandiosa.
Por agora o meu adeus que não será por muito tempo.

Com amizade do seu amigo,
António
Lisboa, 1 de fevereiro, 1933

* aluna da Universidade Sénior de Campo de Ourique

O Grande Banho de sábado !!!

quarta-feira, março 15, 2017

Lídia

"Amemo-nos tranquilamente, pensando que podíamos,
Se quiséssemos, trocar beijos e abraços e caricias,
Mas que mais vale estarmos sentados ao pé um do outro
                Ouvindo correr o rio e vendo-o."