JCT Music

: : :

quarta-feira, fevereiro 20, 2019

KAF



Ao rever este meu pequeno filme lembrei-me do livro "À l'ombre des jeunes filles en fleurs" de Marcel Proust. E do ensaio de Justin O'Brien sobre a teoria da transposição dos sexos em Proust, importante mecanismo para a análise crítica das suas obras na vertente da homossexualidade, posteriormente postulada por Eve Kosofsky Sedgwick na sua "Epistemology of the Closet". Sem dúvida um conjunto de leituras interessantes...Em relação à musica, "Kaf" é a letra do 11º Mandamento ("Do what thou wilt"). A única Lei para responder às nossas necessidades, precisamente o mistério da letra Kaf. Uma simbiose com as imagens do comportamento humano ao final do dia e a latente perenidade da Vida.

"Nada há no mundo que não tenha um momento decisivo”

sábado, fevereiro 09, 2019

Há dias...

...no decorrer de uma conversa durante o almoço, alguém disse para a pessoa com quem falava: "- Não é isso que te define." Achei interessante a expressão e o conceito latente na mesma. Desde então, dou por mim por vezes a pensar o que será que me define? Pior, o que será que me define numa frase? Mais difícil ainda o que será que me define em três palavras? E o quase impossível, o que será que me define numa única palavra?... Penso que seja o que for que me define deverá conter os sentidos de alegria, de generosidade, de respeito, de esforço e exigência mas também de simplicidade... Gostaria que ainda envolvesse inteligência, mas nisso - se pensarmos bem - somos sempre parcos. 

Na estrada uma estação


quinta-feira, fevereiro 07, 2019

Tinariwen - TENERE TAQQIM TOSSAM

A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL - SEGREDOS REVELADOS - [Documentário Dublado Co...

Lisboa de Baixo de Terra - Alguns Segredos Impressionantes (Canal de His...

Horizontes da Memória, No Vale dos Templários, Ferreira do Zêzere, 2000

VOCÊ tem SANGUE TEMPLÁRIO, sabia???

OS TEMPLÁRIOS NA FUNDAÇÃO DE PORTUGAL

Templários de Portugal ( Portuguese Templars ).

domingo, fevereiro 03, 2019

Bando

Ao princípio nem percebi bem o que era. Depois olhei melhor, mas pouco concluí. Pareciam-me uma coisa, mas não podiam ser daquela cor preta. Depois, como me aproximei depressa, comecei a ver melhor e a confirmar nas formas e na grande envergadura o que realmente era e que eu não via há décadas. Um bando de cegonhas !

Embora...

Descalça cai a mão sobre a espingarda. Travando, a roda do comboio faísca sobre o carril. Um odor a ferro queimado invade o ar, quando já o barulho se calara. A punição invade a simetria, o preto e o creme misturam-se no banco. A porta abre-se sobre a refeição. Movem-se as colunas e as cortinas. Mais à fente azuleijos e mosaicos assistem o ritmo. Religiosas e alunas tratam dos despojos. Quadros e cadeiras suportam até o banho ser passado. No átrio as meias e o suspiro, aconchego digital. Copos circulam, bocas sedentas engolem a sede de há instantes. Compõe-se um círculo poema de quatro partes, afunda-se o anel fora do dedo. No confissionário os cabelos voam sobre o negro redondo. Agarra-se a madeira no abismo. Pretende-se o proibido. Peca-se deliberadamente sobre o cordeiro abandonado. Venda-se a Madre e derrama-se. Venera-se a água. Celebra-se a traição. Dracula-se a vida e a violência investe. Finda com o olhar molhado. E fica o mundo assim. Depois é que são elas...queimem os profetas e os poetas.

O incerto fio de prumo

sábado, fevereiro 02, 2019


Composição Fotográfica


Composição Fotográfica


Composição Fotográfica


Composição Fotográfica


Composição Fotográfica


Composição Fotográfica


Composição Fotográfica


Composição Fotográfica


Composição Fotográfica


Oficina da Criança


CURSO DE PADRE

Viagem ao Ilhéu de Vila Franca do Campo

sábado, janeiro 26, 2019

Ao fim

Ao fim de uma semana cansativa não há cansaço que resista a um jantar de Amigos !!!

segunda-feira, janeiro 21, 2019

"There’s an angel standing in the sun"

“We have finally been freed to get back home.”
“There’s an angel standing in the sun, and he’s crying with a loud voice”
– Supper’s Ready (1972)

“There’s an angel standing in the sun,
Free to get back home.”
– Los Endos (1976)

A História da minha ida à guerra de 1908 - Raúl Solnado

Teu corpo pertence à terra que te abraçou

Um dia...

Um dia vi três arco-íris. Não foi possível fotografá-los. Ía a conduzir. A estrada não tinha desvios onde pudesse parar. A máquina fotográfica estava na mala do carro. Os telemóveis ainda não tiravam fotografias na altura. Três arco-íris, parece ser um acontecimento muito raro. Só há 250 registos de avistamentos deste género. Não fazia ideia da sorte que tive em presenciar aquele evento. 

sábado, janeiro 19, 2019

Um homem morreu.

"Um homem morreu.
Ao se dar conta, viu que Deus se aproximava e segurava uma maleta.
Deus disse:
- Bem, filho, hora de irmos.
O homem, assombrado, perguntou:
- Já? Tão rápido? Eu tinha muitos planos...
- Sinto muito! Mas é o momento de sua partida.
- O que tem na maleta? - perguntou o homem.
Deus respondeu:
- Os seus pertences.
- Meus pertences?! Minhas coisas, minha roupa, meu dinheiro?
Deus respondeu:
- Esses nunca foram seus, eram da terra.
- Então são as minhas recordações?
- Elas nunca foram suas, eram do tempo.
- Meus talentos?
- Esses não pertenciam a você, eram das circunstâncias.
- Então são meus amigos, meus familiares?
- Sinto muito! Eles nunca pertenceram a você, eram do caminho.
- Minha mulher e meus filhos?
- Eles nunca lhe pertenceram, eram de seu coração.
- É o meu corpo?
- Ele nunca foi seu, era do pó.
- Então é a minha alma...
- Não! Essa é minha.
Então o homem, cheio de medo, tomou a maleta de Deus. Ao abri-la, viu que estava vazia...
Com uma lágrima de desamparo brotando em seus olhos, disse:
- Nunca tive nada?
- É assim. A vida é só um momento. VOCÊ NÃO LEVA NADA!
Como está escrito: “Que é a vossa vida? Sois, apenas, como neblina que aparece por instante e logo se dissipa.” Tiago 4.14"

sexta-feira, janeiro 18, 2019

E tudo isto é estrangeiro, como tudo

(Tu, que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei quê moderno — não concebo bem o quê —,
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)

Carta de Álvaro de Campos ao Diário de Notícias


Lisboa, 4 de Junho de 1915
Exm.º Senhor Director do Diário de Notícias,
E/V.
Regressando ontem a Lisboa, só então tive ocasião de ler uma crítica, há poucos dias publicada no jornal que V. Ex.ª proficientemente dirige, ao extraordinário livro do sr. Mário de Sá-Carneiro, meu ilustre camarada do Orpheu.
Não é à crítica que me quero referir, porque ninguém pode esperar ser compreendido antes que os outros aprendam a língua em que fala. Repontar com isso seria além de absurdo, indício de um grave desconhecimento da história literária, onde os génios inovadores foram sempre, quando não tratados como doidos (como Verlaine e Mallarmé), tratados como parvos (como Wordsworth, Keats e Rossetti) ou como, além de parvos, inimigos da pátria, da religião e da moralidade, como aconteceu a Antero de Quental, sobretudo nos significativos panfletos de José Feliciano de Castilho, que, aliás não era nenhum idiota.
Não é a isto que me quero referir. O que quero acentuar, acentuar bem, acentuar muito bem, é que é preciso que cesse a trapalhada, que a ignorância dos nossos críticos está fazendo, com a palavra futurismo. Falar em futurismo, quer a propósito do 1º nº Orpheu quer a propósito do livro do sr. Sá-Carneiro, é a coisa mais disparatada que se pode imaginar. Nenhum futurista tragaria o Orpheu. O Orpheu seria, para um futurista, uma lamentável demonstração de espírito obscurantista e reaccionário.
A atitude principal do futurismo é a Objectividade Absoluta, a eliminação, da arte, de tudo quanto é alma, quanto é sentimento, emoção, lirismo, subjectividade em suma. O futurismo é dinâmico e analítico por excelência. Ora se há coisa que [seja] típica do Interseccionismo (tal é o nome do movimento português) é a subjectividade excessiva, a síntese levada ao máximo, o exagero da atitude estática. «Drama estático», mesmo, se intitula uma peça, inserta no 1.º número do Orpheu, do sr. Fernando Pessoa. E o tédio, o sonho, a abstracção são as atitudes usuais dos poetas meus colegas naquela brilhante revista.
A César o que é de César. Aos Interseccionistas, chame-se interseccionistas. Ou chame-se-lhes paúlicos, se se quiser. Esse termo, ao menos, caracteriza-os, distinguindo-os de outra qualquer escola. Englobar os colaboradores do Orpheu no futurismo é nem sequer saber dizer disparates, o que é lamentabilíssimo.
No 2.º número do Orpheu virá colaboração realmente futurista, é certo. Então se poderá ver a diferença, se bem que seja, não literária, mas pictural essa colaboração. São quatro quadros que emanam da alta sensibilidade moderna do meu amigo Santa Rita Pintor.
Até aqui tenho falado em geral, mais pelos meus colegas do que por mim. O meu caso é diferente. Permita-me V. Ex.ª que me refira a ele.
A minha Ode Triunfal, no 1º número do Orpheu, é a única coisa que se aproxima do futurismo. Mas aproxima-se pelo assunto que me inspirou, não pela realização — e em arte a forma de realizar é que caracteriza e distingue as correntes e as escolas.
Eu, de resto, nem sou interseccionista (ou paúlico) nem futurista. Sou eu, apenas eu, preocupado apenas comigo e com as minhas sensações.
Espero da lealdade jornalística de V. Ex.ª a inserção desta carta em lugar onde pelo menos os jornalistas a leiam. Na impossibilidade de fazer os nossos críticos compreender, tentemos ao menos levá-los a fingir que compreendem.
De V. Ex.ª
Cdo. Venr. e Obgdo.
ÁLVARO DE CAMPOS
engenheiro e poeta sensacionista

domingo, janeiro 06, 2019

Cada coisa a seu tempo tem seu tempo

Cada coisa a seu tempo tem seu tempo.
Não florescem no Inverno os arvoredos,
Nem pela Primavera
Têm branco frio os campos.

À noite, que entra, não pertence, Lídia,
O mesmo ardor que o dia nos pedia.
Com mais sossego amemos
A nossa incerta vida.

À lareira, cansados não da obra
Mas porque a hora é a hora dos cansaços,
Não puxemos a voz
Acima de um segredo,

E casuais, interrompidas sejam
Nossas palavras de reminiscência
(Não para mais nos serve
A negra ida do sol).

Pouco a pouco o passado recordemos
E as histórias contadas no passado
Agora duas vezes
Histórias, que nos falem

Das flores que na nossa infância ida
Com outra consciência nós colhíamos
E sob uma outra espécie
De olhar lançado ao mundo.

E assim, Lídia, à lareira, como estando,
Deuses lares, ali na eternidade
Como quem compõe roupas
O outrora compúnhamos

Nesse desassossego que o descanso
Nos traz às vidas quando só pensamos
Naquilo que já fomos,
E há só noite lá fora.

Ricardo Reis

segunda-feira, dezembro 31, 2018

The United States in Yemen

How American Weapons Deals Enable Saudi Arabia’s War

(http://hir.harvard.edu/article/?a=14490)

Since 2014, the internationally recognized government of Yemeni President Abdrabbuh Mansour Hadi has been at war with the Houthi rebels and their allies. Saudi Arabia has led a coalition backing the government since March of 2015. Iran, Saudi Arabia claims, is quietly supporting the Houthis, a Shia rebel group which led multiple rebellions against the former authoritarian president of Yemen, Ali Abdullah Saleh. The Houthis currently hold the northern part of the country; the southern part is held by troops supporting President Hadi and by local tribes. 

Through a combination of ill-advised arms deals and recent military action, the United States has found itself mired in a conflict which it will neither be able to resolve nor exit easily. In order to avoid becoming embroiled in yet another unpredictable Middle Eastern conflict, the United States should retract its support for the campaign and pressure the Saudis to disengage, while allowing the United Nations to take the dominant role in the peacemaking process. 

The United States entered the conflict directly on October 15, 2016. Missiles fired from rebel-controlled areas of Yemen struck the USS Mason; the Houthi military denies Pentagon claims that the attack came from the rebel group.The US Navy destroyer USS Nitze fired cruise missiles at three radar installations in retaliation for the apparent attack on the USS Mason. 

The United States engaged Saudi Arabia in a US$1.3 billion arms sale last year, despite warnings from State Department officials that the sale could make the United States culpable for war crimes in the conflict. The weapons, exchanged in November 2015, were specifically sold with the purpose of restocking munitions used in Yemen. The United States has a long history of arms deals with Saudi Arabia, having sold them US$58 billion worth of arms between 2009 and 2015. However this particular transaction threatens to violate the 2014 Arms Trade Treaty, which prohibits the sale of conventional weapons in cases where such sale facilitates war crimes or crimes against humanity. 

Throughout the conflict, the coalition has been aggressively launching air strikes into Yemen, and civilian areas have frequently been in the line of fire. Twenty months of Saudi involvement came to a head with the catastrophic strikes on the capital city of Sana’a on October 8,  2016 which killed around 140 civilians and wounded upwards of 500. A laser-guided bomb struck a funeral service in Yemen’s largest city, killing its mayor, Abdel Qader Hilal. Saudi Arabian officials claim the incident resulted from “erroneous information.” 

The irresponsibility and destructiveness of the coalition’s tactics have created a nightmare situation in Yemen. Since air strikes led by Saudi Arabia’s coalition began, at least 10,000 people have died, and more than 30,000 have been injured. The coalition has also put a blockade in place, which has helped wreck Yemen’s economy, leaving 80 percent of civilians in need of humanitarian aid. 

After the tremendous loss of life as a result of the strike in Sana’a, the United States officially reviewed its stance on the conflict. After discussions among top level military officials, the US government has frozen a US$390 million sale of munitions to Saudi Arabia. However, despite the documented presence of US munitions at the scene of Saudi attacks on Yemeni civilians, the United States has not (and likely will not) completely halt arms deals with Saudi Arabia. In fact, the Obama administration has said, without giving specifics, that it will increase its support of the Saudi Arabian army in other areas, such as intelligence sharing and border protection. While acknowledging the importance of the American alliance with the Saudis on the basis of its  policy — namely to eliminate ISIS and to impede the growth and progress of other Jihadi groups — further support of this conflict is unconscionable in the light of the loss of life and damage done to the country of Yemen. 

After the loss of countless lives and billions of dollars, the Saudis’ venture is no closer to achieving the goal of a stable government in Yemen. Instead of propping up a failing military campaign, the United States should halt its sale of military weapons to the Saudis and use its influence to push the Saudis to curtail their use of military force. The United States can use its influence within the coalition to bring the situation to a diplomatic solution through a power-sharing agreement, determined by the United Nations, which takes the desires of both the Houthi rebels and established government into consideration. 

All parties involved in the conflict agreed to a three day ceasefire beginning on October 19, 2016, with the larger goal of reaching a political solution to the ongoing conflict. However, the ceasefire ended abruptly a week later on October 26 as government forces opened fire on rebels in the Marib province east of Sana’a. UN Special Envoy Ismail Ould Cheikh presented Houthi forces with a possible plan for the process of rebuilding the country; in late November, the rebels reviewed the plan and accepted the possibility of a power-sharing agreement. However, Mr. Hadi has rejected the plan, claiming that he is the legitimate leader of Yemen. He continues to launch serious military offensives against the rebels, who retain control of Sana’a. 

History has proven that the United States should not become entrenched in foreign conflicts, particularly in the Middle East. America is already involved through its decades-old alliance with Saudi Arabia and through current support of the campaign in Yemen with both weapons and tactical support. The United States  has garnered some responsibility for the outcome of the events there and it is incumbent on the government to prevent the further breakdown of order in an already unstable region by acting quickly to curb the bloodshed through advocation of the UN peace plan and the immediate end to sales of weapons to the Saudis. 

Correction: Saudi Arabia has been leading a coalition in Yemen since March of 2015; originally, the article read “since March of last year.”


sábado, dezembro 29, 2018

Nadie me explicó

Nadie me explicó
como
usar el cuerpo
que es
capaz
de doler
de amor
de desencanto.
Nadie sospechó
la hechura
del placer
del uso
de la torpeza
en los primeros
besos.
Y no
nadie dijo
que podía ser
madeja
Nadie explicó
como usar
este cuerpo
de mujer
ninguna foto
ningún padre
madre
o
aullido.
Me he mirado
en el espejo
hasta leerme
las entrañas
no hay instrucciones
de uso
por ningún sitio.


Cláudia Almada

AS RAPARIGAS DA ALDEIA

Tenho sonhado às vezes
com as coradas raparigas da aldeia
trazem um leve cheiro à palha
e preenchem-me a necessidade
de mamas abundantes.
Convidam-me
mesmo quando olham para o chão

Tenho a impressão
de que fodem como animais antigos:
na lentidão de enormes carapaças
num fragor de pedras
cravando espinhos ao rebolar

Preferem a luz turva
do fim do dia
retornam ao povoado discretas
na companhia dos bois
e um botão a menos na blusa

Gosto das raparigas da aldeia.
Aos domingos de manhã
varrem o lar e dão lustro às panelas
de tarde andam em ranchos
dão gritinhos, fogem para o mato

Quem me dera pôr-me nelas!

João Habitualmente

sexta-feira, dezembro 28, 2018

As Sure As Eggs Is Eggs

Can't you feel our souls ignite
Shedding ever changing colours,
In the darkness of the fading night,
Like the river joins the ocean,
As the germ in a seed grows
We have finally been freed to get back home.

There's an angel standing in the sun,
And he's crying with a loud voice,
"This is the supper of the mighty one",
Lord of Lords,
King of Kings,
Has returned to lead his children home,
To take them to the new Jerusalem.

terça-feira, dezembro 25, 2018

Pescadores de sonhos


Era para serem gémeos...


Perspectiva


Care


Miragem


Pântano


Sementes


segunda-feira, dezembro 24, 2018

Saturno - A Jóia Do Universo

De louvar a decisão de fazer colidir a sonda Cassini com Saturno, fazendo-a desintegrar-se em vez de deixar que a mesma causasse um desastre ambiental - devido ao plutónio nos seus motores - numa das luas,  Encélado, com água no estado líquido.

domingo, dezembro 16, 2018

Uma noite com os Marillion

Look up and see the clouds

"I used to walk alone, every step seemed the same
This world was not my home
So there was nothing much to gain
Look up and see the clouds"

Be straight, think right

"Be wise, look ahead
Use your eyes he said
Be straight, think right
But I might die tonight!"

We're changing day to day

"Oh, I know we've come a long way
We're changing day to dayBut tell me, where do the children play?"

The sands of time

"The sands of time were eroded by
The river of constant change"

The path is clear

"The path is clear
Though no eyes can see
The course laid down long before
And so with gods and men
The sheep remain inside their pen
Though many times they've seen the way to leave"

sábado, dezembro 15, 2018

O Interrogatório de Saddam Hussein - Documentário

O QUE É O PAN? A OPORTUNA NEUTRALIDADE DA DIREITA

Fontes:
- jantar com um Historiador de Esquerda
- http://manifesto74.blogspot.com/2015/12/o-que-e-o-pan-oportuna-neutralidade-da.html?m=1

"O QUE É O PAN? A OPORTUNA NEUTRALIDADE DA DIREITA

QUARTA-FEIRA, 9 DE DEZEMBRO DE 2015


Sempre que se lhe presta ensejo, o partido Pessoas-Animais-Natureza (PAN) repete que «não é de esquerda nem de direita» porque rejeita «enquadramentos deterministas à esquerda, centro ou direita – os quais serão sempre reducionistas»

Se, em política, a neutralidade é sempre suspeita, deve ser constituída arguida e devidamente investigada quando acontece alguma injustiça. E no PAN, à semelhança dos Fuzis da Senhora Carrar, de Brecht, a alegada imparcialidade dos neutrais pende sempre para um dos lados.

Atingida a proeza de entrar no parlamento, a renúncia budista do PAN deu os primeiros trambolhões públicos. Primeiro, votou (disfarçadamente) no candidato do PSD/CDS-PP, Fernando Negrão, para o cargo de Presidente da Assembleia da República. Já na semana passada, o PAN absteve-se na moção de rejeição apresentada pela mesma coligação de direita, argumentando, todavia, que essa abstenção representava «um voto de confiança dado a este Governo legítimo» (?!).

Se lhe parecer estranho que o PAN não tenha a certeza sobre a moção de rejeição do PSD/CDS-PP, uma amálgama de elogios à austeridade com argumentos golpistas de extrema-direita, deve ficar a conhecer o percurso percorrido por esta força partidária.

O PAN, inicialmente denominado Partido pelos Animais, nasce em 2009 pela mão de Paulo Borges, antigo líder de vários grupos fascistas, de que a AXO é apenas exemplo. Reconvertido ao budismo e à filosofia New Age, o percurso de Paulo Borges espelha as contradições latentes do PAN, partido que só recentemente abandonou, imprimindo-lhe definitivamente o cunho actual.

Nos anos 80, o fundador do PAN escrevia «CARNE E SANGUE, FERRO E AÇO PELO QUINTO IMPÉRIO!  É chegada a altura de provar por actos quem são os melhores filhos da RAÇA. Prová-lo-ão aqueles que tiverem a força de reerguer um único SENTIDO NACIONAL, um sentido que aponte a todos os Portugueses um mesmo FIM ACTIVO para a vida ou para a morte, para a guerra ou para a paz». E, mais adiante, «Pela higiene nacional: Freaks e hyppies para a fogueira! Purificação Nacional! O mito renasce – a raça está viva! - Igualitários, mordereis o pó. Lâminas imperiais para barbas democráticas! Cristo era judeu! Marx era judeu! Freud era judeu! Quando nos libertaremos desta maldita herança?»

Ao contrário do que é costume espargir em alguns círculos de pseudo-intelectuais burgueses com aspirações cosmopolitas, a transição de Paulo Borges do racismo para o budismo não é surpreendente. O fascínio da extrema-direita pelos ideias de «purificação» do budismo radical remontam ao III Reich de Hitler. Com efeito, o Dalai Lama, cuja fotografia continua a ser amiúde publicada no site do PAN, é o ex-chefe de Estado de um reino religioso, uma monarquia absoluta onde o clero era o proprietário de toda a terra, onde a escravatura, a tortura, a miséria e a exploração sexual das mulheres eram dogmas sancionados pelo budismo oficial.

Descontrai baby, come on descontrai, afinfa-lhe o Bruce Lee, afinfa-lhe a macrobiótica, o biorritmo, o hoscópio, dois ou três ovniologistas, um gigante da ilha de Páscoa e uma Grace do Mónaco de vez em quando para dar as boas festas às criancinhas!
José Mário Branco in FMI

Claro que o PAN actual não subscreverá os ideais mais reaccionários desta tradição mas, órfão destes pais anónimos, cultiva uma linguagem e uma imagética que misturam a estética New Age com cultura pop anglo-saxónica e frases da Chiado Editora (ver imagens que ilustram este artigo) num bolo onde cabem citações de líderes religiosos hindus, fotografias do universo e apelos à (justa) defesa dos povos Maasai. Inversamente, no PAN nunca houve interesse, preocupação ou espaço para os trabalhadores despedidos na Triumph, na Somague ou na Cimpor.
Uma vez mais, nada de novo. Este é o mesmo PAN que elogiava o infame Memorando de Entendimento com a Troika, também justamente conhecido como Pacto de Agressão. Eis o que defendia o PAN:

«O Partido pelos Animais e pela Natureza (PAN) considera que o acordo de apoio financeiro recém-aprovado pela tróica constituída pela Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional se tornou essencial para garantir a estabilidade financeira do país, após anos de desgoverno e aproveitamento pessoal e partidário, pelos quais são sobretudo responsáveis o Partido Socialista e o Partido Social-Democrata. A aprovação desse acordo foi condicionada pela aceitação por parte do governo de um conjunto de reformas, algumas das quais fundamentais, tendo como objectivo geral modernizar e agilizar o funcionamento do aparelho de Estado visando o relançamento da economia a médio e longo prazos. De facto, o PAN argumentava já, nas suas bases programáticas, com a urgência de algumas dessas reformas, como forma de termos melhor Estado e de evitarmos o desperdício dos dinheiros públicos: a reestruturação do mapa administrativo do país, a reavaliação das parcerias público-privadas, a reforma da justiça, a redução de organismos e institutos públicos supérfluos, a privatização de empresas públicas não-estratégicas para o interesse geral do país, o reforço do controlo de gestão e o combate ao despesismo nos serviços públicos da educação e da saúde, entre outras.»

Coerentemente, perante a luta dos trabalhadores, 
o PAN explica melhor como é que não é de esquerda nem de direita: «o PAN está solidário com todas as recentes manifestações de indignação e protesto, incluindo a greve geral marcada para o próximo dia 24, mas também se solidariza com todos aqueles que, embora indignados e descontentes com esta situação, preferem outras formas de luta a uma greve geral, pelo impacto que esta tem sobre uma economia já debilitada».

Nada disto invalida a justeza de várias propostas do PAN. O problema é que quase todas essas propostas já constam do programa de algum partido, seja ele o PCP, o BE, o PEV ou mesmo o PS, o PSD ou o CDS-PP. O que há de original no PAN é o apelo apolítico e tosco à bondade para com os «bichinhos»: não para com os animais.  Enquanto o PAN luta pela libertação da águia Vitória e por copos menstruais, há empresas que descarregam diariamente resíduos tóxicos nos nossos rios e transportes públicos que correm o risco de deixar de o ser. Mas o que mais preocupa o PAN são os gatos e os cães, animais de companhia e (também) de entretenimento. E, por outro lado, a questão das touradas, espectáculo que, malgrado degradante e bárbaro, não representa de forma alguma, os verdadeiros problemas da natureza e dos animais em Portugal.

O verdadeiro inimigo da natureza e dos animais tem um nome: capitalismo. Capitalismo é o modo de produção que destrói as florestas do planeta, que polui a água de todos e leva espécies inteiras à extinção. E sobre o capitalismo o PAN não tem posições que, no entanto, importava conhecer, nomeadamente: o PAN defende a nacionalização da banca e dos sectores-chave da economia? O PAN admite mais privatizações? Como é que o PAN responde às exigências da CGTP a este governo?

Insistindo que não é de esquerda nem direita, o PAN lá vai repetindo que é só um «partido de causas». Mas os partidos de esquerda não são «de causas»? A diferença entre, por exemplo, o PEV e o PAN é que o PEV compreende que não é possível defender a natureza sem um programa de justiça social que rompa com a política de direita e assuma frontalmente os valores progressistas, revolucionários e democráticos de Abril.

Ora o PAN, que, para além de defender uma redução brutal do número de deputados, estreitando assim ainda mais a nossa democracia, defende a manutenção de Portugal na NATO, uma organização militar assassina especializada em invasões, golpes de Estado e genocídios. Uma organização assim só pode estar a anos luz de poder representar os valores democráticos, pacíficos e progressistas da ecologia.

Desta forma, vai-se tornando claro que a pretensa neutralidade ideológica do PAN não é mais que um oportuno instrumento eleitoral, dificilmente concretizável num terreno em que diariamente é preciso optar por um dos lados: ou o dos banqueiros e do grande capital ou o dos trabalhadores.

A ecologia proposta pelo PAN, baseada no primado do acessório em detrimento do fundamental, é o equivalente a resolver o problema da dívida pública a recolher tampinhas. Ser ecologista sem ser de esquerda é só ser conservador. Lutar pelo fim da exploração do animal pelo homem sem querer pôr um ponto final na exploração do homem pelo homem é ser hipócrita. Querer mudar o mundo votando no PAN é o mesmo que querer pôr fim à pobreza fazendo as compras no Comércio Justo.

*Imagens retiradas do sítio na Internet do PAN e da página da candidata presidencial que esta força apoia."