quinta-feira, outubro 23, 2003



O Capitão de Um Navio Espanhol

O capitão de um navio espanhol em manobras perto da costa portuguesa avistou uma luz distante e resolveu enviar uma mensagem via rádio.

Essa mensagem foi captada e gravada por um radio-amador português:
" Aqui é o capitão J. Alonso. O curso do seu navio está em rota directa com o nosso. É favor alterar o seu curso 15 graus para norte.
Câmbio".

O português respondeu:
"Vocês é que estão em rota de colisão connosco. Alterem o vosso curso 15 graus para sul".

O capitão espanhol ficou irritado e respondeu:
"Nós é que exigimos que vocês alterem o vosso curso 15 graus para norte".

O português insistiu.
"Alterem o vosso curso 15 graus para sul".

O capitão (nuestro hermano) ficou irritadíssimo e disse:
"AQUI É DO REAL IBER ESP. O MAIOR PORTA AVIÕES DE GUERRA DA PENÍNSULA,DA REAL MARINHA ESPANHOLA E ESTAMOS EM MANOBRAS COM MAIS 2 FRAGATAS, 2 DESTROYERS E NUMEROSOS NAVIOS DE APOIO. NÓS EXIGIMOS
RAPIDAMENTE QUE VOCÊS MUDEM DE CURSO 15 GRAUS PARA NORTE. ESTAMOS PREPARADOS PARA TOMAR TODAS AS CONTRA - MEDIDAS QUE FOREM NECESSÁRIAS PARA GARANTIR A SEGURANÇA DOS NOSSOS HOMENS.
CÂMBIO".

E o português respondeu.
"Aqui é do Farol. Façam o que entenderem.
Câmbio".
A Derrota da Invencível Armada

Na tarde de 19 de julho de 1588, no prado de bochas, em Plymouth, Grã-Bretanha, Sir Francis Drake, primeiro-capitão de Sua Majestade Britânica, e outros oficiais da Marinha inglesa estavam empenhados numa partida de bochas, quando vêem rumar, na direção do porto, com as velas pandas, um pequeno navio armado. O comandante, um certo Fleming, atraca às pressas e logo vai ter com os oficiais. Excitadíssimo, quase sem fôlego, consegue gaguejar apenas poucas palavras:
— A Armada... eu vi, esta noite, a frota espanhola perto das costas da Cornualha!
A esta notícia, alguns capitães correm para o lido e gritam, pedindo que dos navios, mandem chalupas (pequenas embarcações de um só mastro). Dos becos e das pequenas lojas que dão para o porto, eis que, logo, acorre uma multidão, vociferando. A notícia de que o perigo é iminente espalhou-se num átimo, e a tranqüila cidade inglesa fica em polvorosa. As ansiosas perguntas dos cidadãos cruzam-se com as vozes concitadas dos chefes de churma (a gente de serviço nos navios) que ordenam aos marinheiros seguirem o exemplo dos seus comandantes, apressando-se em retornar às respectivas embarcações. Sozinho, entre todos, Sir Francus Drake se mantém impassível.
— Um momento, senhores! — troveja sua voz. — Temos todo o tempo de terminar esta partida e de bater os espanhóis. — E parece, segundo a História, que, efetivamente, os oficiais, encorajados por essas palavras, voltaram a jogar, lançando as últimas bochas.
Havia, contudo, com que se preocuparem! Grandiosa, implacável, sob o comando de Medina Sidônia, a Armada dirigia-se, de fato, para a Inglaterra, decidida a quebrar as poucas resistências navais e permitir, assim, às forças espanholas, acampadas em terras de Flandres, sob o comando de Alexandre Farnese, que invadissem todo o país.
A Armada, "a invencível armada", como, orgulhosamente, gostava de definí-la, o rei Felipe II, da Espanha, era a frota mais poderosa do mundo, com mais de 130 naus de guerra.
Àquelas forças, a Grã-Bretanha pouco podia opor: uma centena de navios, muitos dos quais não aptos para a batalha, e todos de tonelagem inferior aos dos espanhóis.
Todaviam os ingleses podiam contar com os mais famosos e hábeis homens do mar da época, que já haviam prestado numerosos e memoráveis serviços à rainha Elisabeth. Eram ele: Sir Francis Drake, o primeiro ingles circunavegador do globo, terror de todas as costas espanholas do Velho e do Novo Mundo; Sir John Hawkins, o rude veterano de muitas viagens nos mares da África e da América; Lord Howard, Grande Almirante da Inglaterra.
As primeiras escaramuças do encontro tiveram lugar perto das costas de Cornualha, num sábado, 20 de julho. A Armada estava disposta em forma de meia-lua; de um extremo a outro, podiam-se medir cerca de sete milhas.
Os ingleses, espalhados em várias ordens, deixavam passar os navios espanhóis, limitando-se como que temerosos, a conservá-los sob vista, a distância.
Uma estranha calma parecia reinar sobre aquelas águas, onde duas frotas, uma segura de si, outra cautelosa, se estudavam de longe. Mas eis que, de improviso, com simultânea manobra, os navios ingleses, de todas as direções, caem sobre as costas do adversário. A batalha trava-se logo, violenta, entre troar de canhões, gritos de homens enfurecidos, chamas que se levantam. Os ingleses, valendo-se de barcos menores e velozes, atacam repetidamente os espanhóis, retirando-se, depois, sobre suas posições, após havê-los acertado.
Esta tática dá bons frutos. os enormes galões espanhóis, embaraçados, geralmente cerrados um contra o outro, levam a pior e devem dobrar, a tôda pressa, para o porto de Calais.
Aqui se verifica o imprevisto, o fato de coroará a mais famosa batalha do século XVI.
Num verdadeiro golpe de gênio, na noite de 27 de julho de 1588, Sir Francis Drake lança, contra as maiores naus espanholas alinhadas no porto de Calais, oito "bulotes". Estas pequenas embarcações estão carregadas de explosivos, de substâncias inflamáveis que impelidas pelo vento, vão chocar-se contra os navios inimigos. Com o choque, sobrevém uma tragédia. Apanhados de surpresa, apavorados pelo fragor das explosões, que se sucedem incessantemente, os espanhóis cortam as amarras e zarpam em grande desordem.
Da grande Armada, da "Vencível Armada", como a chamou, depois, ironicamente, Sir Francis Drake, somente 53 barcos, meios rebentados, devolveram à Pátria suas churmas.
Para a Espanha, esta derrota significou o fim de um mito, de um domínio; para a Inglaterra, o início de um poderio marítimo destinado a refulgir nos séculos futuros.

Grande Porco

Um dia destes ía o José Mourinho a atravessar a rotunda da Boavista com um leitão debaixo do braço.

Um transeunte que passava diz-lhe:

- Olha um porco! Onde é que o apanhaste?

- Foi nas Antas! - responde o leitão.

quarta-feira, outubro 22, 2003


O Partido

Para os mais novos se aparecesse um ilustre desconhecido que candidatasse a Secretário-geral do PS, para lhe entregarem o lugar numa bandeja dourada, bastar-lhe-ia gritar:

Camaradas, este PS está condenado!

Já não é o ilustre partido dos tempos gloriosos do D. Afonso Henriques.
Do D. Dinis e do Mestre de Avis. Do Condestável e do Infante D. Henrique.
Longe vão os tempos de D. João II, do Vasco da Gama e do Afonso de Albuquerque.

Este PS assim não vale nada.

À actual situação de 0% de Ideias novas, proponho:
- o dobro em Iniciativas!
- o triplo em Moral!
- e o quadrúplo em Atitudes Cívicas!!!

Sobre o Sr. Ferro...

... e perante as figuras que tem feito:

Dão-nos a capa do evangelho
e um pacote de tabaco
dão-nos um pente e um espelho
pra pentearmos um macaco

Penteiam-nos os crâneos ermos
com as cabeleiras das avós
para jamais nos parecermos
connosco quando estamos sós

Dão-nos um bolo que é a história
da nossa historia sem enredo
e não nos soa na memória
outra palavra que o medo

Sr. Ferro, faça-nos um favor.
Desapareça dos nossos écrans!

Sobre as Declarações do Presidente...

... e perante a sua tão pobre mensagem, apenas poderei citar:

Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.

segunda-feira, outubro 20, 2003



Os Nós e os Laços.

Um marinheiro pensava ter um nó, seguro, firme, permanente, absoluto, que lhe suportava e defendia a vida em caso de tempestade. E descobriu afinal que o nó não servia para nada. Não prestava, não aguentava qualquer prova. A própria corda esfarelava. A primeira vez que o nó foi posto à prova, desfez-se totalmente. Ao primeiro sinal de força mostrou a verdadeira natureza (inutil, inseguro, temporário, frágil).
Um nó em que depositara tantas esperanças.

No mar não lhe valerão mais os Laços simples e vistosos mas que quando são precisos se mostram resistentes, rijos, duradoiros, inquebráveis?

quinta-feira, outubro 16, 2003

Os Árabes e o Princípio da Incerteza

1) - Os uns e os àrabes

Estavam os nossos (ou apenas meus?) antepassados árabes muito bem descansadinhos da vida nas esplanadas dos seus terraços, a gozar o conforto da sua civilização ligeiramente avançada para a época, quando a legião de desordeiros de D. Afonso Henriques - que além de bater na mãe e não tomar banho com muita frequência, guerreava toda a gente inclusive o próprio genro (já para o final da vida) que o mandou prender por falta de cumprimento de palavra - veio por ali abaixo desencadeando aquela que pode ser considerada a 3ª invasão bárbara.

Da carnificina e dos excessos que os primeiros portugueses infligiram aos árabes... ficaram alguns registos distorcidos a que se chama: lendas.

Nas lendas geralmente aparecem sempre: castelos, amendoeiras em flor, virgens moiras encantadas de longas cabeleiras escuras quase sempre enclausuradas e prisioneiras de amores proibidos, altaneiras torres de vigia em brancos castelos, pais sarracenos sempre hiper-conservadores e irredutíveis que os actuais talibans, e ainda de jovens cavaleiros cristãos sempre muito espertos que no final ficavam com os castelos, as terras, as amendoeiras, etc..., excepto com as raparigas; nada de misturar raças e religiões, nem de criar hordas de mestiços.

É por isso, e não apenas pela homossexualidade dos legionários portugueses que, no final das lendas, as raparigas moiras levam sempre sumiço.

A nostalgia e a saudade da antiga forma de vida, das paisagens, das planícies e do litoral de outrora, permaneceu nos árabes que por cá ficaram após a invasão dos portugueses, constituindo o seu legado aos descendentes.

Manifestações dessa forma de sentir encontram-se nos cancioneiros portugueses (da Cova da Beira para Sul) e nalguns dos instrumentos musicais utilizados, cujo exemplo mais comum é o adufe. É só observar uma romaria dessas zonas (ex: Sra. da Póvoa) para ver que tudo (o que está latente naquilo) afinal tem origem pagã (árabe).

Também no Fado - além de vestígios da negritude africana – se tem muito dessa raíz.

Todos nós, mistura entrópica de sangues e de origens, ainda sentimos algo de diferente - pelo menos - quando contemplamos o mar ou o ondular duma seara de trigo e papoilas, ou os cabelos de uma mulher esvoaçando (isto para os homens, claro). Para as mulheres o equivalente... não o sei.

Outros, cuja sopa hereditária veio ligeiramente sobrecarregada, fazem coisas que não se conseguem racionalizar (que alguém sabiamente resolveu atribuir à Lua, que eternamente calada e longínqua não se pode defender da acusação) a não ser que se pense no ADN (um recentemente nomeado cúmplice da Lua):

- descer escarpas íngremes em praias desertas só para conseguir ultrapassar esses obstáculos, que até nem era preciso para nada que fossem ultrapassados; atravessar lagoas e barragens;

- caminhar à chuva mesmo que encharcado e sentindo o mesmo gosto ao chapinhar com as botas na água do chão, com que no Verão - sob um Sol - escaldante se corria no rebentar das ondas ou se subia os rios a partir da foz;

- a enorme falta de pachorra para aturar "os pobres de espírito", os cinzentões; e os desafios aparvalhados;

- vontade de combater as injustiças e entrar nas lutas pelo lado dos mais fracos, mesmo nas causas perdidas.

A tónica comum é o desprezo pelo bem estar físico pessoal e material (daí a radical aversão aos pijamistas e pantufistas, o descalcismo militante, e provavelmente o nunca nos constiparmos e raramente termos frio) e pela vida em sociedade. Há que percorrer alguns caminhos solitariamente.

Os últimos acontecimentos entre árabes e judeus podem levar-nos a pensar se este extremar de posições não era previsível há muito tempo. Mesmo a Guerra Santa que dizem que se avizinha, mas com os potenciais e verdadeiros inimigos (Argélia, Síria, Irão,...), não terá tido a sua génese nas preferências sionistas divinas ?

Questões para meditar:
- Como encarar um Deus que declara ter – entre todos os povos que criou – um que é da sua especial preferência?
- Porquê a sua preferência pelos elementos de um determinado povo e não pela bondade nos corações dos homens e mulheres?
- E porque motivo esta preferencia tem sido tão decisiva na evolução da civilização ocidental?

Talvez, nas respostas se perceba como um determinado povo tem trabalhado a História a seu favor...

2) Matemáticos vs Físicos (ou o A Mecânica Quântica tenta explicar o Comportamento Feminino)

Quando ao Teorema da Existência não percebi muito bem o conteúdo, como não sou matemático não estou a par das recentes novidades, mas parece-me que esses totós ainda andam às voltas com a demonstração do Teorema de Fermat...

Nestas áreas do conhecimento abstracto, os Físicos que defendem há já alguns anos o Princípio (da Incerteza de Heisenberg) semelhante no fundamental a este Teorema.

Dum texto de Física sobre este assunto, sublinho as partes mais eróticas:

"...............................................
A Lei do Mais Fraco

A gravidade domina o Universo porque o seu alcance é infinito e a sua força é sempre atractiva, ao contrário do electromagnetismo, também de alcance infinito mas exercendo forças atractivas ou repulsivas conforme as circunstâncias. Apesar da intensidade da força electromagnética ser muito superior à da gravidade, as cargas eléctricas positivas são contrabalançadas pelas negativas nas grandes escalas (por exemplo, mesmo dentro de um simples átomo de hidrogénio a carga positiva do protão é neutralizada pela carga negativa do electrão). Por isso, as grandes massas possuem uma carga eléctrica completamente desprezível.
No entanto, para demonstrar a debilidade intrínseca da força da gravidade face à electromagnética, basta reparar numa maçã que se desprenda de uma árvore e caia sobre o chão. Uma maçã é mantida presa a um ramo pelas forças electromagnéticas que unem os átomos da maçã aos do ramo. É preciso a gravidade da Terra inteira para vencer a força eléctrica inerente aos poucos átomos de um modesto pé de maçã

O Preço da União

Quando dois corpos se unem sob a influência de uma destas forças, a massa conjunta de ambos reduz-se pois uma parte da massa é libertada sob a forma de energia. Por exemplo, um electrão (carga negativa) unido a um protão (carga positiva) pela força electromagnética existe num estado de energia mais baixo que um electrão livre. De acordo com a relatividade de Einstein, há uma equivalência entre massa e energia, portanto o excesso de energia que se libertou quando o electrão foi capturado pelo protão traduz-se também numa perda de massa por parte dos dois corpos.

Princípio da Incerteza

Um dos pilares da mecânica quântica é o princípio da incerteza de Heisenberg. De acordo com este princípio, para prever a posição e velocidade futuras de uma partícula é necessário poder medir a posição e velocidade actuais. Para se observar a partícula é necessário fazer incidir sobre ela um raio de luz.
Se o comprimento de onda do raio (fotão) for longo, ou seja, menos energético, perturbará menos o movimento da partícula e será possível conhecer a sua velocidade com alguma precisão. Todavia, não conseguimos determinar a posição da partícula com maior rigor do que a distância entre cristas de onda sucessivas. Sendo o comprimento de onda longo, essa distância será maior e, portanto, maior será também a incerteza quanto à posição da partícula.
O oposto ocorrerá se fizermos incidir um raio com um comprimento de onda mais curto: perturbará mais o movimento da partícula (tornando mais incerta a sua velocidade), mas permitirá localizá-la com maior precisão.
Heisenberg demonstrou que a incerteza quanto à posição multiplicada pela incerteza quanto à velocidade e multiplicada pela massa da partícula nunca pode ser inferior a uma certa quantidade - a chamada constante de Planck.

A Soma de Histórias de Feynman

Na sequência desta ideia, Richard Feynman advogou que uma partícula não tem uma única história ou trajectória no espaço-tempo. Em vez disso, deverá deslocar-se entre dois determinados pontos seguindo todas as trajectórias possíveis entre eles. A probabilidade de uma partícula ser encontrada num determinado ponto será dada pela soma das ondas associadas às histórias que contêm esse ponto.
................................................................"

Fiquei sem palavras.

Werner Karl Heisenberg ) estabeleceu os dois princípios seguintes, apresentados no trabalho "Uncertainty principle" (Princípio da Incerteza) de 1927 (mais tarde, em 1932, ganhou o Prémio Nobel por este princípio):

1. The more precisely the position is determined, the less precisely the momentum is known in this instant, and vice versa.

2. In the sharp formulation of the law of causality - "if we know the present exactly, we can calculate the future" - it is not the conclusion that is wrong but the premise.

Agrupados, estes dois princípios dizem-nos que, se pudermos calcular com precisão a velocidade de um electrão, não poderemos ter a certeza sobre a sua localização e, se soubermos a localização, não saberemos a sua velocidade.

Este princípio de Heisenberg é tudo o que eu precisava para compreender - ou melhor dizendo, explicar - as mulheres!

É impossível deixar de pensar nelas quando se lêem estas coisas da Física Quântica.

A mulher é pura matéria quântica.

A adaptação que faço dos princípios de Heisenberg, em relação à mulher:

1. "Quanto mais soubermos o que elas querem agora, menos saberemos o que elas quererão em breve, e vice-versa". Ou seja, é tarefa ingrata querer saber precisamente onde está e para onde está a ir uma mente feminina.

2. Na formulação da lei da causalidade - "Se soubermos exactamente o que elas querem agora, saberemos o que elas vão querer daqui a pouco" - não é a conclusão que está errada, mas sim a premissa.

Ah, mulheres, mulheres!
Mudando constantemente as suas polarizações.
Apontando para cima ou para baixo de acordo com magnetismo do momento.
Presente desconhecido e futuro incerto. Incerto...



Eu não precisava nada do Heisenberg nem do Princípio da Incerteza para validar esta (in)certeza sobre as mulheres.

Continuo não sabendo nada.
Estaca zero.

Estaca zero novamente.
E, pensando bem, assim é que é interessante.
A questão de Alcácer Quibir

Seria evitável a crise dinástica resultante de Alcácer Quibir, que levou à perda da independência nacional e, durante 60 anos, à ocupação espanhola? Poderá resumir-se a questão de Alcácer Quibir a uma batalha, a uma derrota militar ou a uma política desastrosa ? Quais os motivos que determinaram a morte de D. Sebastião e, com ele, a morte de milhares de portugueses, que precipitaram o País no descalabro?
Um recente estudo de João Branco e José Luís Dória - ambos da Universidade Nova de Lisboa e apresentado num congresso de Medicina - procurou demonstrar as consequências de Alcácer Quibir, que a falta de continuadores portugueses na representação dinástica, resumiu-se, afinal, a um problema de família.
Queiroz Veloso, que procedeu ao levantamento factual e crítico dos reinados de D. Sebastião e do cardeal D. Henrique era, à semelhança de Jaime Cortesão, um licenciado em Medicina que optou pelo ofício de historiador. Contudo, Gregório Marañon já era um médico com actividade intensa no hospital e no consultório que fez história, recorrendo à experiência clínica e à cultura profissional. Assim, também aconteceu, entre nós, no fim do século XIX, com Manuel Bento de Sousa, catedrático de Medicina de Lisboa, que, no livro O Doutor Minerva elaborou um diagnóstico retrospectivo das doenças de D. Sebastião. Trata-se de um notável ensaio, embora circunscrito aos conhecimentos científicos da época e que em alguns aspectos viriam a ser contestados.

A comunicação de João Branco e José Luís Dória, a propósito da consanguinidade da dinastia de Avis fundamenta-se na História Genealógica da Casa Real de que António Caetano de Sousa representa no século XVIII, um dos principais cabouqueiros e, por outro lado, nas investigações de genética molecular (marcadores DNA) que provam que os descendentes de uniões consanguíneas têm elevados índices de patologia e de anomalias de desenvolvimento, em relação aos mesmos animais, mas sem vínculos de consanguinidade.
Em face de inúmeras constatações científicas, é ponto assente que a consanguinidade sucessiva gera uma espiral negativa, que termina com a redução dessa população ou até mesmo a sua implacável extinção. Está demonstrado que dá lugar a défice de imunidade, malformações génito-urinárias, neurológicas e cardíacas, deficiências mentais profundas e outras enfermidades incuráveis.
Na abordagem conjugada da análise política com a análise genética, João Branco e José Luís Dória examinaram, caso a caso, dois períodos distintos e caracterizados por objectivos estratégicos diferentes, na orientação de casamentos da dinastia de Avis. D. João I, após a crise de 1383-1385, casa com D. Filipa de Lencastre para reforçar a aliança entre portugueses e ingleses e, além do mais, para se demarcar da influência peninsular da esfera do reino de Leão e de Castela. Quase sempre esta directriz manteve-se até ao falecimento do príncipe D. Afonso, filho de D. João II. A partir de D. Manuel adoptou-se outra filosofia. O Tratado de Alcáçovas de 1479 e outras convenções posteriores conduziram a uma tentativa de união ibérica das três coroas peninsulares e sob a égide de um herdeiro masculino português. Daí celebrarem-se três casamentos consanguíneos sucessivos. E não só. Os dois últimos ainda se processarm entre primos direitos duplos. Será mais fácil pormenorizar: D. João III casa com D. Catarina de Áustria; o príncipe D. João, filho de ambos, casa com sua prima D. Joana, filha de Carlos V, irmão de sua mãe D. Catarina de Áustria que, por sua vez, era irmã de D. João III.
O resultado foi mais do que óbvio. Destes casamentos sobreviveram poucos descendentes: de D. Maria (filha de D. João III e de D. Filipe II) houve apenas o infante D. Carlos, que faleceu antes de ascender ao trono; de D. João (filho de D. João III e de sua prima D. Joana) também nasceu apenas D. Sebastião.
Com a validade científica possível, conclui-se que, independentemente do malogro de Alcácer Quibir, o destino da linhagem varonil de Aviz, e devido à política desastrosa de casamentos consanguíneos, conduzia à sua inevitável extinção. Por outras palavras: o Portugal que surge depois de Alcácer Quibir não terá sido uma fatalidade, mas uma condição.

terça-feira, outubro 14, 2003

O astronauta espiritual


O americano Edgar Mitchell participou da missão Apollo 14 e foi o sexto homem a pisar na lua.
Enquanto estava no espaço, Mitchell teve uma experiência espiritual que mudou seus paradigmas. "Olhando para o espaço, tive um sentimento de estar profundamente conectado com tudo".
De volta a Terra, ele fundou o Instituto para Ciências Noéticas, cujo principal objectivo é promover o estudo e prática da ciência de um ponto de vista cósmico.
Para ele, os cientistas e místicos têm o mesmo objectivo: entender a galáxia. "Os místicos, porém, têm feito isso há milénios, e os cientistas são novatos", afirma Mitchell.

Ele cita Descartes como o responsável pela profunda influência do pensamento dualista na sociedade ocidental.
Descartes foi o primeiro a defender que razão e espírito estavam separados. E assim têm sido desde então, por longos 400 anos.
"É isso que nos permite ir a Igreja aos domingos e pedir perdão, e na segunda-feira continuar estragando o mundo. Mas não podemos mais continuar agindo assim", acredita Mitchell.
Por causa do cartesianismo, ele afirma, o progresso espiritual do ocidente sempre foi muito lento. "Mas isso mudou nos últimos anos. Agora, estamos finalmente entendendo como a mente e a consciência estão conectadas com o Universo".
Segundo ele, a experiência esotérica - isto é, a experiência interna de unidade com o cosmos - está ao alcance de qualquer um.

Em entrevista colectiva, Mitchel esclareceu alguns dos seus pontos de vista:

Pergunta - Fala-se muito que a física quântica explica a espiritualidade. Como assim?
Edgar Mitchell - De acordo com a teoria quântica, existe o não-lugar. Este não-lugar não se baseia somente em partículas, mas numa omnipresença. O não-lugar está em toda a parte. Os estudos do holograma quântico estão levando a ciência a afirmar basicamente isso. A manifestação que não é local, do aqui e agora, é um não-lugar, está em toda a parte. Os místicos já vinham dizendo isso há muito tempo, e a ciência só agora está chegando a essa conclusão.

Pergunta - O que você acha das teorias que dizem que a consciência cria a realidade?
Mitchell - Existem duas escolas filosóficas. Uma que afirma que a matéria é a realidade absoluta e a outra que diz que a consciência é a realidade absoluta. O que nos parece agora é que nenhuma das duas está inteiramente correcta. As duas coisas evoluem ao mesmo tempo, simultaneamente. E antes da matéria e da consciência o que existe é o que se chama de campo de quantum zero, que poderia ser chamado de Deus. Ou seja, o que não é criado. A partir disso surgem as duas realidades simultâneas, a matéria e a consciência. E evoluem juntas, interagindo. Sabemos agora que o universo vazio não está vazio. Existem flutuações quânticas em toda a parte, e em cada pequena partícula quântica existe energia suficiente para a criação de todo o universo.

Pergunta - Para que a sociedade mude, é preciso que os governantes comecem essa mudança?
Mitchell - O sistema político tem que seguir as mudanças. É preciso haver uma perspectiva espiritual primeiro. Uma mudança interna e individual precisa acontecer para depois haver uma mudança política. Não estou falando de levar teologia à política, estou falando de levar uma visão espiritual que vai causar impacto na forma pela qual a política pensa.

Pergunta - Alguns cientistas afirmam que a saída para a humanidade é colonizar outros planetas. O que o senhor acha disso?
Mitchell - Acho que precisamos aprender a viver melhor aqui na Terra. A taxa de crescimento da população e a forma pela qual estamos nos comportando não é adequada para a preservação do planeta. Se continuarmos assim realmente iremos destruir a Terra. Mas o correcto não é escapar para outros lugares, e sim saber viver bem aqui. Ao mesmo tempo, o nosso destino é a exploração, nós inevitavelmente vamos explorar outros espaços. Inclusive porque o nosso sistema solar tem um tempo limitado, mais ou menos cinco biliões de anos, para existir. Depois ele vai se desfazer, é parte da evolução cosmológica.

Pergunta - O senhor acha que religiões são fundamentais na busca espiritual?
Mitchell - Talvez os líderes religiosos não gostem muito dessa afirmação, mas são eles que muitas vezes seguram, pelo poder, a informação espiritual que tem de ser disseminada: a de que nós podemos falar com Deus directamente, que nós não precisamos de nenhum intermediário atrapalhando essa comunicação.

Pergunta - Porquê a ciência está tentando entender a espiritualidade?
Mitchell - A verdadeira procura é entender a realidade, da qual a espiritualidade é parte. Durante 400 anos acreditamos que eram coisas separadas, mas agora nossa ciência está mostrando que isso não é verdadeiro. Estamos trazendo de volta o que tínhamos erradamente pensado que era separado. Tentar entender a natureza da realidade é uma antiga busca da humanidade. Se você é um artista, deve conhecer o material que usa para pintar, e também tem que criar algo a partir disso. Se você apenas observa a arte, você não tem que entender nada sobre a tinta ou a tela. O que isto está nos dizendo, por mostrar que corpo, mente e espírito estão juntos, é que não somos apenas observadores da arte, nós somos os artistas. Então, precisamos entender tudo
Uma Entrevista com a Dolores


Esta entrevista foi feita em Lansdale, Pennsylvania, a 10 de Junho de 1996, antes da palestra da Sra. Ashcroft-Nowicki em Filadélfia, por Mark Stavish dos The Philosophers of Nature.

Dolores Ashcroft-Nowicki iluminou dezenas de milhares de alunos sobre os métodos das Tradições Ocidentais de Mistérios nos seus variados papéis de professora, dando palestras e autora. Além de ter escrito dez livros, ela é a fundadora e Directora Pedagógica dos Servants of the Light (SOL),uma das escolas esotéricas mais importantes do mundo. Co-fundada por W. E. Butler, um estudante da falecida Dion Fortune, SOL ensina métodos práticos de magia, Cabala e ocultismo, através de um curso de estudo pessoal de quatro anos.
Mark Stavish é o Director de Pesquisa do projecto ORA (Occult Research & Application) dos Philosophers of Nature. Mark é também o Director Regional para o Nordeste dos Estados Unidos dos PON.

M.S.: O que é Magia?

DAN: Essa é uma pergunta feita por muita gente. Magia, quanto a mim, é uma combinação de arte e ciência. É uma arte por causa das parte tradicionais, os gestos graciosos, as invocações sonoras, a utilização da cor, da visão, som, de todas estas coisas que a tornam uma forma de arte. No entanto é também uma ciência porque esperamos resultados a partir do que fazemos. Embora não tenha nenhum tipo de formação científica, estou a chegar muito rapidamente a uma relação lógica com a física. Por isso, se tenho que definir magia, podemos voltar à frase de Dion Fortune, que é a arte de alterar a nossa consciência conforme a nossa vontade. Num certo sentido, isso ainda se aplica. É uma ciência diferente, que contém em si mesma tanto os elementos positivos e construtivos de uma natureza científica como também a imaginação artística. Utilizando e criando estas paisagens internas quase como sonhos nas quais podemos viver, mover-nos e ter o nosso ser.

M.S.: Como é que então a magia difere das técnicas psicoterapêuticas de imaginação ou visualização criativas, como as que se fazem na Psicossíntese ou em escolas semelhantes?

DAN: Não existem muitas diferenças. A divisão é muito ténue. Eu continuo a afirmar que gostaria que tivéssemos uma palavra diferente de magia. Esta está demasiado banalizada. Já não significa o que estamos a fazer ou o que estamos a tentar fazer. Temos que encontrar outra terminologia, esta coisa da PNL começa a oferecer novas maneiras de explicar as coisas, oferece novos termos, mas também a física quântica o faz. Magia é primeiro e antes do mais uma forma de crença. Em magia, eu digo, eu acredito que consigo controlar certos elementos do meu meio ambiente, acredito que posso controlar certos aspectos do meu sistema endócrino, através da imaginação, da visualização, técnicas de respiração, que num certo sentido, tem a ver com os aspectos científicos. Assim, a magia é uma combinação, é uma sopa, uma deliciosa combinação de arte, imaginação, visualização, fantasia, com uma dose saudável e de base sólida, porque é uma ciência. A questão é que perdemos as chaves.

M.S.: O que são as chaves?

DAN: As chaves são, ou eram, os métodos de treino utilizados pelas antigas escolas de mistérios. Quer dizer, quando pensamos nisso, aos sete anos de idade, no mundo egípcio, todas as crianças eram apresentadas ao sacerdote do templo. Elas eram testadas durante três dias, e os que mostravam alguma forma de talento no sentido oculto eram aceites no templo para serem treinadas. Ora isto para os pais era óptimo, no sentido em que já não tinham que vestir, alimentar nem educar essas crianças. Era óptimo para as crianças no sentido em que lhes era dada uma hipótese que não era dada a muitos outros. Era óptimo para os templos, pois tinham um fluxo contínuo de talento. Mas como é que os treinavam? Temos dicas e pistas, temos bocadinhos nos papiros, temos bocadinhos de ideias que nos chegaram através da sabedoria popular, através da mitologia, e de todas as maneiras possíveis. Mas não temos nas mãos um currículo completo da forma como treinavam estes jovens. A forma como induziam estados alterados de consciência e a projecção da mente.

M.S.: Disse que os seus amigos a acham compulsiva em termos de escrever anotações. Eu sei por experiência própria que a maior parte dos magos são notavelmente fracos a transmitir a sua ciência.

DAN: Não costumava ser assim. Enfiaram-me na cabeça que se fazemos meditações, escrevia-se o que se recebia. Não importava que fosse desleixado, fragmentado, e se parecia que não tinha muita importância. Escrevia-se porque três ou quarto dias mais tarde podia ser que nos fosse dada a chave. Eu estou no meio de um desenvolvimento interior - mentalmente, espiritualmente, e até mesmo no entendimento básico de algumas coisas. Isto tem-se passado de há cerca de 18 meses para cá De vez em quando, alguém me diz alguma coisa e eu penso "Oh! Isto encaixa!" e apresso-me a tomar nota. Estou com algumas pessoas que trouxe para este pequeno pradigma em que estou a trabalhar. As pessoas dizem-me "Leste isto assim-assim?" Está lá uma frase, ou um parágrafo, ou esta pessoa está a falar sobre algo. E tudo se encaixa. Ou tenho um sonho, um sonho lúcido. E estou a descobrir que não sou a única a trabalhar nisto. É como o "Centésimo macaco".". As pessoas escrevem-me a dizer "Tive uma realização muito interessante. É o seguinte," e eu digo "bem vindo ao clube," e escrevo a dizer "olha, toma isto."

M.S.: É como se estivessem todos a cozinhar um bolo, mas têm partes diferentes da receita.

DAN: Sim, sim. Sabes, estamos a entrar noutro campo onde também sou compulsiva. O que não gosto é a maneira como muitas pessoas escondem o que têm e não o divulgam. Claro que tenho a noção de que algumas coisas não se podem divulgar até termos a maior parte do puzzle. De contrário, os seguidores da New Age, com dois paus de incenso, uma túnica nova e três livors do Aleister Crowley pensando que são um Ipsissimus, chegam ao Inferno em três tempo. Por isso é necessário uma atitude responsável perante isto. Uma vez que cheguemos a uma conclusão, podemos dizer às pessoas, "Olha, tenta isto." Acho q a forma como as pessoas se agarram às coisas, "Não podemos divulgar isso. Isso pertendce ao nosso Terceiro Grau." E eu penso, "Isto é o q eles disseram ao Crowley."

M.S.: Recentemente, formaram-se várias novas organizações, em particular os Philosophers of Nature, porque se achou que muitos alquimistas estavam a partir do princípio, reinventando a roda, porque não havia transmissão de conhecimento. Tantas coisas na Magia, Cabala, e na tradição hermética que se tornaram secretas. No website dos SOL você recomenda Regardie, e nem sequer menciona Crowley.

DAN: Não, mas quando as pessoas me dizem 'O que pensa do Crowley?' eu tenho uma resposta. Eu respeito-o imenso. Tenho imensa pena da maneira terrível como foi educado, e também penso que ele foi o seu pior inimigo. O seu cinismo foi a sua queda. Mas eu também já notei que as pessoas que mais mal falam deleentram numa Loja e fazem magia do tipo que ele fazia. Não é que nós não o reconheçamos. É que eu acho que ele é perigoso para os novatos. Mas quando as pessoas chegam a um ponto em que eu penso, tu vais dar um bom supervisor, ou mesmo liderar uma Loja. então eu digo-lhes que avancem e leiam Crowley, e vejam onde ele se desvia, devido ao seu sentido de humjor distorcido. Ele tinha imensos problemas, mas também acertou em imensas coisas.

M.S.: Disse que as Tradições Ocidentais estavam em perigo. Serão também elas, tal como Crowley, o seu pior inimigo?

DAN: Oh sim.

M.S.: Que perigo põem, ou estão em perigo de quê?

DAN: Está em perigo de cair devido aos seus próprios erros. Hoje em dia já ninguém quer trabalhar. Ninguém tem a dedicação suficiente para dizer, "Vai-me demorar dez anos para acabar isto."

M.S.: Isso está relacionado com o que eu me lembro tantas vezes, que nós não temos Mestres nas tradições Ocidentais, em oposição às tradições Orientais, ou que pelo menos passam por isso, e muitos comentaram comigo, que não existe disciplina nas tradições Ocidentais, conmparado com as tradições Orientais. Como introduzimos disciplina nas Tradições de Mistérios Ocidentais? E onde estão os seus Mestres?

DAN: Disciplina. Sabe, eu recebi o meu treino na Society of the Inner Light. Ora isso obriga a que se passe um certo tempo em meditação, e também obriga a que seja de manhã cedo, pois dizem que estamos mais perto do estado de sono nessa altura. É mais provável que nessa altura quase adormeçamos, o que traz um interlúdio lúcido. Somos obrigados a escrever o que se passa em dez linhas. E não 5 páginas por entrada. Se usámos 10 páginas, não estamos a prestar atenção ao que nos está a ser transmitido durante a meditação. E também é preferível que consigamos condensar o que percebemos em algo curto, consigo e explicativo. É esperado que se tenha na ponta da língua um conhecimento extensivo de duas tradições ou panteões, o que preferirmos chamar-lhes. É esperado que estudemos e que leiamose dão-nos uma lista de livros. Nós temos princípios semelhantes nos SOL. Somos um pouco mais brandos, permitimos 14 linhas, em vez de 10. E eu digo às pessoas, mais do que 14 linhas e vais ser riscado. Por isso se a melhor parte estiver aí, não vai ser lida. Sabemos que há pessoas que trabalham por turnos, por isso não dizemos que tem que ser feito a uma dada hora, mas dizemols que queremos um mínimo de 15 minutos. No sentido em que se não conseguirmos nada em 15 minutos, não vamos mesmo conseguir nada após mais 12 minutos, ou uma hora. Eu não acredito em horas e horas de meditação. A mente está cansada e começa a fechar-se sobre si própria. Nós temos uma lista de leitura, é bastante completa, inclui quer obras de ficção bem como obras de não ficção. Dizemos às pessoas, se queres ser um mago vais ter que saber de geologia, paleontologia, arqueologia, arte, história, tantas línguas quantas possa, música, conhecimentos de cor, matemática. Existem cerca de 23 áreas que podemos usar, dado que a magia é um assunto tão completo. Penso que os Mestres Ocidentais, no entanto, já se retiraram, na sua maior parte. Eles trabalham amis sobre o que nós chamamos de "toque da mente" (mind touch), overshadowing, ou mais raramente, o Indweller (Habitante).

M.S.: Temos de ser uma pessoa da Renascença.

DAN: Sim, exactamente. E, usando esse termo, uma das coisas que tento meter na cabeça dos meus estdantes é que temos que pensar duma maneira nova. A maneira de pensar antiga é sempre em frente. Temos que aprender a fazer o que os gregos faziam em Thaleus, quando Myles começou a pensar em abstracto. Com pensamento abstracto. Lá está Cerphalies, lá estão Anaximandro, Anaximedes, naquela pequena comunidade fechada em Mileto e todos eles começaram dessa nova forma esquisita. O que foi muito bem colocado por Julian James no "Breakdown of the Bicameral Mind". Eu não concordo com tudo, mas acho, certamente, que toda a gente devia ler. E estamos noutro género de Renascimento agora. E, se não começarmos a pensar de forma diferente, e a física quântica é uma forma diferente, estamos a começar a pensar em ângulos rectos. Há alguns anos, Edward De Bonno lançou a ideia do pensamento lateral. Com o mago, não é só a ideia de pensar abstractamente, não é só uma questão de chegar a esta ideia e seguir em frente, em ângulos rectos. Uma questão como uma exposão duma estrela, sai em todas as direcções.

M.S.: Então são três dimensões e mesmo uma quarta dimensão.

DAN: Exactamente. Porque há um ponto em que três dimensões não chegam. É como uma ligação empática com o universo como um todo. Podemos ter empatia entre pessoas. Entre nós e com os animais à nossa volta, algumas pessoas têm empatia entre elas e o mundo das plantas. O meu marido pode plantar um lápis em madeira e eu sou capaz de jurar que vai crescer e dar flor! Mas há algo mais. Ter uma ligação com a totalidade de tudo é ficar vivo de repente. E, para usar um "Gurdjieffismo", "acordar". O truque é ficar acordado.

M.S.: Isso é quase uma perspectiva antroposófica.

DAN: E eu não sou muito a favor de Steiner, há muitas coisas que ele diz que eu não alinho. Mas, sabe, a magia e esta história da física quântica, estão a aproximar-se cada vez mais. Um dia destes, um físico quântico vai acordar e descobrir que é um Magister Templi (Mestre do Templo) e o Magister Templi vai acordar e descobrir que é um físico quântico. Estão a proximar-se tanto que isso está a dar cabo da cabeça do físico puro que pensa agora "estamos a aproximar-nos desta história esquisita". Ms, por outro lado, não podem negar o que estão a descobrir. Enquanto que uma quantidade de magos que pensam para a frente dizem que esta história é óptima. Isto explica o que os egípcios nos dizem há séculos, sabe. O problema é que as pessoas olham para trás para o que entendem como a Idade de Ouro da Magia. Não era assim tão dourada. Tinham tantos problemas como nós, diferentes, mas tinham-nos. Depois foi tudo para o Inferno num cesto quando Roma caíu, a Idade das Trevas com pequenas bolsas de Luz aqui e além e, de repente, este maravilhoso Renascimento. Foi como receber uma segunda oportunidade, tudo começou a expandir-se para a frente.

M.S.: O que não se ouve falar é que muitos destes artistas e dos seus patrocinadores eram esoteristas e estavam envolvidos na promoção das ideias ocultas.

DAN: E eram todos pessoas ricas que tinham tempo para fazer essas coisas. Nós não. Quero dizer, eu tenho que sair, não levo nada, nem um penny. Nenhum dos supervisores, nem sequer o meu marido, que é o outro Director da SOL. Não levamos nada. Saio, faço as conferências e escerevo. Não levamos nada. Saio, dou conferências e escrevo. É assim que ganho a vida. Não posso permitir-me ficar sentada em casa e fazer o que gostaria realmente de fazer. O que seria sentar-me, fazer pesquisa e escrever. Ninguém pode fazê-lo hoje em dia. A última vez que isso foi feito foi na Golden Dawn. Eram pessoas ricas na sua maioria.

M.S.: E a Golden Dawn nunca teve mais do que algumas centenas de membros no seu auge.

DAN: Não era assim tão grande e os que lá estavam não tinham que cumprir um horário das nove às cinco. Florence Varr era uma actriz bastante medíocre e confiava muito mais nos seus outros talentos do que nos tespianos. Isso não significa que ela não fosse uma maga estupenda na altura, porque era.

M.S.: Parece haver tendências reaccionárias em relação à magia, pelo menos na América. O estilo da Golden Dawn é aquele com que a maioria das pessoas está mais familiarizada. Com isso vem Crowley e a sua reacção aos valores sociais e sexuais vitorianos e também temos isso aqui hoje. Muitas pessoas que estudam magia acham que os seus valores antigos já não têm consistência, outros usam a magia como pretexto para desrespeitar quaisquer valores que possam ter tido ou em que tenham sido educados.

DAN: Isso é verdade. Mas uma das minhas grandes reticências acerca da New Age, deixe que lhe diga, nem tudo na New Age é tão mau como parece. Quando é bom, é bom, quando é mau, é mesmo mau.

M.S.: No que não é diferente dos grupos mágicos modernos.

DAN: Ah, mas com certeza! Não há muito no caminho do meio na Tradição Ocidental de Mistérios. Mas, claro, chega um momento em que a moral e a ética andam longe. Ora, não se pode ter duas perspectivas neste ponto. As pessoas dizem - "Sou um grande mago e nada se me aplica" - ou então como que se agarram à moral e à ética nas suas áreas, com as quais cresceram. Eu sou uma espécie de ponto intermédio, porque fui treinada por (W:E.) Butler, que foi treinado por Dion Fortune, que pertencia à velha escola. A minha mente está sempre virada para a frente e, por mim mesma e pela particularidade do meu trabalho, olho sempre para o tempo para lá do meu, mas estou presa no meio. É por esta razão que a SOL sempre foi descrita como construtora de pontes. Nós não somos um culto, não ensinamos uma crença. Ensinamos um método de treinar os seus talentos ocultos. Nós não lhe dizemos "Tem que ser Cristão", como faz agora a Inner Light. Não nos importa que seja um Muçulmano, um Sikh ou um Católico Romano. Não nos interessa o que quer que você seja. Ser quiser ser treinado nesta história, nós treinamo-lo. O que lhe diremos é que vamos dar-lhe uma melhor compreensão do seu próprio sistema de crença. Só oferecemos treino.

M.S.: Muitos grupos esotéricos dizem isso, mas quando se passa à prática, muitos indivíduos adoptam a nova crença, o novo sistema torna-se a sua religião. Quer dizer, adoptam a filosofia e as ideias, ficam tão entrosados através as suas experiências e práticas, que se torna a sua religião. É por isso que quando alguém me pergunta -"O que és tu?" - é uma pergunta difícil de responder numa única palavra. Conheço muitos esoteristas na mesma posição.

DAN: Cá estamos nós na questão da terminologia outra vez. Deve haver uma palavra que possa dizer - "Sim, sou um..."

M.S.: Conheço alguns que dizem simplesmente "Sou um hermetista".

DAN: Bom, isso cobre uma multitude de bom e mau. Estamos num ponto, Mark, em que há espuma e isso chega ao fim de cada cem anos e ainda mais ao fim duma Idade, de que nos estamos a aproximar ou mesmo dentro.

M.S.: O movimento New Age é essencialmente construído sobre uma visão fatalista de punição. É contraditório, mas, por um lado, há uma crença em "pensa e enriquece" e, por outro, a crença de que o mundo vai acabar no ano 2000. Mas, mesmo dentro da Tradição hermética, voltando ao esoterismo francês e Fulcanelli, há um sentido de compreensão histórica bem como iniciática do Apocalipse e isso é uma coisa que eu não vejo o esoterismo ocidental abordar. O hermetismo é essencialmente apocalíptico?

DAN: Penso que há qualquer coisa na psiqué humana que, quando se aproxima um ponto importante de viragem, tende a ficar carregada de fatalismo. No ano 1000 as pessoas davam tudo, incluindo grandes castelos que possuíam aos mendigos à porta. Sabe, a prepararem-se para serem levados para o Novo Reino. Quando não aconteceu regressaram e recuperaram tudo. Penso que isto é uma coisa muito profunda na psiqué humana, que, venha lá o que vier, ver-se-á sempre este aspecto de fatalismo e condenação. Eu sou uma optimista confirmada. Penso que o Apocalipse vai ser nesta nova maneira de pensar. Algures entre agora e o ano 2020, vai ter que haver uma abertura. Não só na Ciência, já o fizemos, mas uma abertura na mente humana. Vamos ser capazes de agarrar um conceito, uma maneira de pensar. Vamos ser capazes de fazer uma realização que envolva a nossa espécie. Penso que é isso. Os sentimentos de fatalismo, de desespero, vêm da parte da mente de grupo combinada que diz: "Não vou conseguir. Não vou ser capaz de mudar" e, se não mudares, vais afundar-te.

M.S.: Isso terá tradução na realidade física que conhecemos?

DAN: Penso que talvez haja preocupação com o modo como somos capazes de usar o nosso cérebro. Deixe-me repetir aqui e dizer uma coisa que disse ontem, penso que não vai demorar muito até que vejamos os primeiros mutantes. Não digo isso no sentido dum filme de ocultismo de Hollywood, mas mutantes do género de pessoas que já se aproximam da psicocinese, empatia, telepatia, há uma grande ênfase na empatia a chegar às pessoas, mesmo na minha idade. Eu sou aquilo que é conhecido como uma sensitiva psíquica, não sou uma clarividente objectiva. Se houver alguma coisa no ar, posso dizer-lhe como é, para onde vai, o que está a fazer, mas também tenho o dom da empatia. Posso pegar num grupo, qualquer que seja o número de pessoas, dêem-me uma hora e eu dobro-os numa mente de grupo que você até é capaz de sentir o gosto quando entrar na sala. Pessoas de quem sou próxima, posso captar e não importa em que parte do mundo. Se estiverem em grande sofrimento, em grande aflição mental, eu apanho. E, mais vezes do que se imagina, atender uma chamada telefónica e dizer: "Sim, John..., sim, Elizabeth..." e depois vem essa vozinha a dizer "Gostava que não fizesses isso!". A empatia é o talento mágico mais fácil de desenvolver. Porque todos nós a temos em certa medida. Só não a reconhecemos como talento mágico.

M.S.: Eu conheço várias pessoas que começaram o seu trabalho oculto com um sentimento de empatia, ou até desenvolveram capacidades psíquicas. Depois de algum tempo, contudo, começam a perder as suas capacidades. Isto é um problema com os estudantes da Cabala que eu conheci, porque eles lêem livros, como a Cabala Mística da Dion Fortune e é tão compartimentada, que de facto reforça as barreiras interiores em vez de as diminuir.

DAN: Os cabalistas estão compartimentados em toda a parte. Pensam em caixinhas. Em certo sentido, é isto o que eu quis dizer com pensar de forma abstracta e pensar de maneiras diferentes. Têm que sair da caixa. Estranhamente, com a Cabala, uma vez (Pico de ) Mirandola tinha iniciado o movimento, toda a gente subiu a bordo da carruagem da Cabala durante uns duzentos anos e, de repente, pararam. As pessoas começaram a aceitar a ideia Judaica de que o que estava escrito não era para ser mudado. Tudo tem que mudar. Se não muda, morre. A primeira coisa que temos de fazer é dizer "Sim, vou mudar isto. Vou mudar aquilo." Dion Fortune começou isso, mas não foi suficientemente longe quando disse que era o Yoga do Ocidente. Começou a ocidentalizá-lo mas, vejamos, a Cabala é basicamente uma espécie de conceito do Médio Oriente e ela começou a expandi-la à maneira Ocidental. Mas não foi suficientemente longe e morreu antes de poder fazer alguma coisa a esse respeito. No entanto, ela estava a abrandar.. Em certo sentido, estava a chegar ao fim da sua floração. Duvido que o tivesse levado muito mais longe. Charles Seymoure foi logo a seguir. Christine Hartley retirou-se, uma senhora maravilhosa, vidente soberba, não fez nada depois de perder Dion Fortune e Charles Seymoure.

M.S.: Seymoure era o parceiro mágico dela e Dion Fortune a sua tutora mágica.

DAN: Pois, sim. Então aparece Ernest Butler. Mas Ernest estava compartimentado no sentido em que era um padre cristão ordenado na Igreja Católica Liberal. Embora viesse da Teosofia, estava amarrado a convenções. Então ele experimentou e passou para mim ideias semente. Um dia, de repente, disse-me: "Toma o que te posso dar, mas muda antes de usares." Não compreendi o que ele disse até três ou quatro anos mais tarde.

M.S.: Algumas das críticas à Cabala são que é muito difícil, complexa e excessivamente simbólica. Alguns estudantes até parece ficarem fechados na matriz simbólica, como um objectivo em si mesmo, não progredindo para a verdade atrás de cada símbolo.

DAN: Bem vê, os símbolos foram feitos para serem portais. Não se pára num símbolo para dizer - aqui está uma cruz de braços iguais com um círculo à volta. Você deve atravessar esse símbolo e descobrir o que está por trás dele. Eu acho isso uma atrapalhação, de facto. Compreende, tive uma vantagem. Eu nasci numa família com mente de ocultista. Nada era escondido, o que quer que eles soubessem, eu sabia também. Fui encorajada a sentar-me à mesa e falar com os adultos. O. K. Eu era filha única, isso era razoavelmente fácil. O meu Pai encorajou-me a cada passo do caminho. Fui criada com a ideia que, se não soubesse, ficava com ela até encontrar uma ponta de fio em qualquer lado e seguir esse fio até descobrir. Portanto, para mim, um símbolo é só um começo. Para o que está atrás do símbolo. Não é só um padrão decorativo bonito. Pega-se nele e mastiga-se.

M.S.: Como é que se mastiga?

DAN: Desmonta-se. Olha-se para ele e pode usar-se uma qualquer de uma dúzia de maneiras . Eu ensino à minha gente a usar o que nós chamamos os ganchos de associação. Olhar para ele, esperar para ver se aparece outro símbolo, juntá-lo ao primeiro. Esperar para ver se aparece outro.. Quando estiver terminado todo esse conjunto, sentar e olhar para o símbolo. Usar a ideia judaica e indo-tibetana de que cada letra do alfabeto é um ser vivo. Você faz isso com um símbolo e faz dele um amigo. E dá-lhe um nome. "Olá, Fred, como estás?" E o símbolo está ali e diz - "Estou O K.. O que queres saber hoje?" "Sabes, Fred, estive a pensar. Sabes, tu és sempre desenhado desta maneira, podes dar-me um aspecto teu antes deste?" "Ora deixa-me pensar - diz o Fred - eu costumava ser desenhado assim..."

M.S.: Mas então, você dialoga mesmo com os símbolos?

DAN: Ah, sim. Quanto mais louca é uma coisa, mais vai funcionar.

M.S.: Isso é como nas tradições Sufi e Tibetana em que têm o que eles chamam "Sabedoria louca", ou a crença que, quanto mais bizarra é uma coisa, mais irá quebrar as nossas barreiras convencionais?

DAN: Exactamente! Exactamente! De novo, volto à minha família. Nós temos um sentido de humor amalucado. É uma das coisas inteiras na família. Ernest costumava dizer-me e é uma das maneiras em que rompeu o seu próprio molde, ele nunca usava o termo subconsciente, ou eu inferior, ele costumava dizer o Eu Poderoso, que é a Fundação, que é o teu lado Yesódico (Em Hebraico: Fundação ou sistema nervoso autónomo) , a maquinaria do teu universo pessoal. É aí que está todo o poder, infelizmente é disléxico como o raio e eu não consigo lê-lo. Então tem que se associar imagens. Eu fui criada acreditando que todo a magia é a base da fantasia, imaginação, visualização e desejo. Essas são quatro boas, sólidas, pequenas fundações e tu constróis sobre elas. Ora "George", o Eu Poderoso, é imensamente poderoso e está ligado, não só ao teu consciente, se o permitires, mas também ao teu Consciente Superior... O Eu Poderoso, ou Yesod, toca em tudo. No entanto, estamos aqui instalados neste imenso conhecimento e ninguém deu conta disso, porque toda a gente diz: "Subconsciente, o Eu Poderoso, treta".

M.S.: Esse é o problema principal que aconteceu no século passado com a Sociedade Teosófica e a razão para a formação de sociedades mágicas como a Irmandade de Luxor, The Hermetic Order of the Golden Dawn e a razão para a associação inter-organizativa. A Sociedade Teosófica não estava a ensinar nada de prático e trouxe com ela as proibições vitorianas-indianas sobre a sexualidade. Uma vez que o subconsciente e o Eu Inferior estão intimamente ligados com a sexualidade, eles sentiram que havia algo de "errado" nisso.

DAN: Ah, você sabe disso!

M.S.: Como é que teve a ideia de escrever um livro sobre magia sexual (The Tree of Ecstasy) uma vez que isso é uma ideia tão frequentemente relacionada com os ensinamentos orientais do Tantra?

DAN: Bom, vou dizer-lhe. Primeiro que tudo, eu fui criada com a ideia de que o sexo era uma coisa verdadeiramente boa. Ninguém jamais me disse que era sujo, incorrecto, ou "Não, querida, por favor não te toques aí".

M.S.: Então, nesse caso, os seus Pais eram hippies, antes de haver hippies.

DAN: Os meus Pais não eram de maneira nenhuma hippies, foram educados muito estritamente. Mas, se eu tivesse uma pergunta, davam-me uma resposta. Tive dois casamentos e, entre os dois, seis, ou talvez se possa chamar sete amantes. Também, à parte de e além do meu treino Cabalístico, tenho um amor profundo e respeitoso pelo Craft (Feitiçaria inglesa tradicional). No meu treino, fui tornada íntima de algum Craft muito, muito antigo. Para proteger isso, foi necessário que fizesse juramento de sangue para proteger essas coisas. Mas o juramento de sangue também estava misturado ao nível sexual, a fertilidade da terra, as pessoas, o gado. Trabalhei com aquele grupo de pessoas em especial durante quatro anos e meio. Eu tinha copiado todo o material deles à mão, porque estava a começar a afastar-me e era essencial, a fertilidade pertencia a isso e a tradição tinha mais de mil anos. Também passei por todo o material de Gerald Gardner, não porque eu pensassegrande coisa disso, era mais a Doreen Valiente. Gerald Gardner em grande parte andou por aí e recolheu-o . Não apanhou nem metade, eles sabiam que ele vinha aí e davam-lhe o que pensavam que ele gostaria. Eu tenho em minha posse mais cânticos e canções antigas e costumes antigos do que Gerald Gardner jamais pensou que fosse possível. Ele estava nessa coisa de "vestido de estrelas" ou "vestido de céu" e, acreditem-me, em Inglaterra, em qualquer altura do ano, é frio demais para andar vestido de céu. Era uma desculpa para se despirem. Eu nunca neguei que, no fim de contas, é um presente de Deus, se usarmos a palavra do D. Porque, muito cedo, eu compreendi o centro Yesódico, é aquele à volta do qual toda a criação, toda a magia flui. É o ser tudo e o terminar tudo da magia. A magia é sexual porque é criativa. Mas tente dizer isso às pessoas e elas ficam doidas. Depois apanham-se pessoas como Yvonne e Gavin Frost a escrever sobre o tantra, quando não têm a mais pequena pista do que é o tantra. Mandaram-me o livro deles sobre o tantra para revisão e eu mandei-o de volta para o editor e disse: "Olha para esta porcaria!", quer dizer, eles estão a dizer, mais ou menos, entra e sê tântrico. Agarra num parceiro e, sabes, ou...ou e a modos que basicamente, descobre um buraco e usa-o! Isso não é Tantra. Você vai para o Oriente e um Guru de Tantra dir-lhe-á, agora senta-te e trabalha durante cinco anos e nem sequer olhes para uma pessoa do sexo oposto.

M.S.: Uma escola de tantra sugere que a imagética sexual só é para ser usada simbolicamente. É usada para a excitação, mas nunca foi intenção ser levada a sério, como relação sexual ritual. As velhas histórias contadas sobre os Rosacruzes medievais são que eles tomavam os espíritos das águas como esposas e coisas do género, mas o acto sexual factual não pertencia ao treino. Eles queriam todos os benefícios da imagética sexual, sem a prática factual da relação sexual ritual. Uma autoridade da Wicca comenta sobre os covens homossexuais como sendo uma contribuição unicamente americana e Gareth Knight repudia veementemente a homossexualidade num contexto mágico. Quais são os seus pontos de vista sobre a homossexualidade, em particular no contexto mágico?

DAN: Como já disse antes, fui treinada na Inner Light que considera qualquer forma de homossexualidade como, não só perversa, mas uma doença de facto e eles foram muito criticados por causa disto. Eu arrisquei o meu pescoço há quinze ou dezasseis anos atrás e disse que pensava que isso estava errado, que se alguém entrasse na SOL e fosse homossexulal, enquanto as suas intenções fossem correctas, nós treinaríamos essa pessoa tão longe quanto quisesse ou fosse capaz de ir. O que dizemos de qualquer pessoa - nós treinamo-lo tão longe quanto seja capaz de ir. Nem toda a gente é capaz de chegar a Adeptus Minor e atingir a realização do Eu Superior. As pessoas vão querer ficar a um certo nível, estão satisfeitas, se quiser é a sua primeira encarnação a trabalhar nos Mistérios. Eles não querem ir mais longe. Outros entram, progridem até onde deixaram na vez anterior e estão óptimos para avançar. Fizera,m de mim uma vilã, fui assada nos carvões, atacada, requerida que saísse da Inner Light, porque eles achavam que havia um conflito entre o meu trabalho com a SOL e a Inner Light ao mesmo tempo. Portanto, sim, de certo modo, fui mais ou menos removida e isso foi basicamente uma das razões. Porque eu disse, não me importo com as suas tendências sexuais, o que eu quero é dedicação, aplicação e lealdade.

M.S.: Alguns esoteristas disseram-me que têm problemas em trabalhar com homossexuais em trabalho mágico, mas não em místico. A razão apresentada foi que os rituais mágicos requeriam uma polaridade que não era tão óbvia em empreendimentos místicos e que podia haver num nível inconsciente alguma forma de reacção magnéticamente, sexualmente, inconscientemente, ou todas elas. Gareth Knight, em A Practical Guide to Qabalistic Symbolism, tem algumas posições muito fortes a este respeito.

DAN: Sim, de facto ele tem um grande problema com isto. Como também a maior parte das p+essoas que saem da Inner Light, é tão entrosado. Se eu fosse empurrada contra uma parede e ameaçada, teria que dizer que a magia exige de facto polaridade, particularmente ao trabalhar no formato duma loja com um ritual mágico. Passo por cima disso dizendo às pessoas ao treiná-las, - "se tiverem um homossexual de qualquer dos sexos, tentem colocá-los opostos a um do seu próprio género que é a sua polaridade.

M.S.: Está a referir-se ao círculo ritual e às posições dos oficiantes?

DAN: Sim, de forma que estamos ainda, de certa forma, a obter uma polaridade masculina/feminina. Eu colocaria, por exemplo, um masculino dominante no Este e, à falta de melhor palavra, um masculino subordinado no Oeste. Nesse caso, eu diria que ainda se tem polaridade. Pode nõao ser tão bom ou tão cheio de força como uma verdadeira masculino/feminino, mas funcionará até certo ponto. Compreende, tem que se aceitar o facto de que nada vai ser jamais tão bom como o verdadeiro. Mas pode usar-se o que se tem, contanto que se faça o melhor possível.

M.S.: A razão por que eu falo disto é que é um verdadeiro problema técnico e bons parceiros, em especial parceiros mágicos, são difíceis de encontrar. As pessoas têm uma visão preconceituosa de que temos de estar abertos a tudo e que não há limites nem fronteiras, mas este é um problema técnico que pode afectar grupos mágicos e, até, amizades.

DAN: O ideal é ter dois masculinos e dois femininos a trabalhar juntos, mas porquê desperdiçar recursos, se se tem alguém , masculino ou feminino, lésbica ou homossexual, que talvez seja um bom psíquico, ou clarividente, ou apoio, que não tem nada de especial a dizer, mas que é muito bom a atrair poder. Uma maneira óbvia é não os colocar em situações onde não tenham de ter polaridade. Colcá-los como o/a Vidente. Colocá-los como Guardiã(o). . Dar-lhes um símbolo andrógino masculino/feminino. No fim de contas, as pessoas que se ocupam destas coisas, se estão metidas na Cabala, procuram a androginia divina. Há aí um precedente, não há? O tipo de coisa de não deitar fora o bébé juntamente com a água do banho. O que me dá realmente um problema, é que não gosto de grupos só masculinos ou só femininos. Não funciona. Funciona sim, naquele género de coisas como ritos de passagem masculinos ou femininos. Isso, está bem. Não é Magia de Alto Cerimonial. Não requere polaridade, passa. É por isso que as pessoas do Old Craft, da Velha Religião, fazem bastante este tipo de coisa, mas em Magia de Alto Cerimonial tem que se encontrar maneiras em que as pessoas que sejam duma tendência sexual ou da outra possam trabalhar, oferecer serviço e qualquer tipo de talentos que tenham dentro deles. Não se pode de todo dizer às pessoas - "Não gosto da forma como estás zangado" - e chutá-las fora. São pessoas que estão dentro dessas áreas, que são capazes, dedicadas e fazem trabalho poderoso. Esses talentos têm que ser usados, não se pode deixá-los desperdiçar, venham de onde vierem. A propósito de falar disto, como disse antes, tenho estado a trabalhar nos últimos dezoito meses com uma coisa que é baseada nesta ideia dessa área, desse ponto do ser humano, este Centro Yesódico, é de longe mais poderoso que jamais sequer pensámos. É o ponto da criação.

M.S.: Os Alquimistas reconhecem a transição gradual de uma fase para a outra. Na Cabala, isso é afirmado, mas parece haver um dualismo ierente, na ideia que o universo material está tão separado deste ponto de origem, que nós temos que atravessar todos estes níveis diferentes para regressar. Sso é particularmente forte no material da Golden Dawn.

DAN: Sim, mas se você dobrar a àrvore em Tipharet, o ponto central da harmonia, Malkut, o universo material e Kether, o ponto de origem da criação, são o mesmo. Mas também assim acontece com Yesod, o nosso inconsciente-sexual/Eu Poderoso e Daath, o Conhecimento Desperto.

M.S.: Há pouco eu estava a pensar quando falou de pensar em ângulos rectos, que Se diz muitas vezes que Daath é o "ângulo recto" do ser para o não-ser e do não-ser para o ser.

DAN: É o Conhecimento, Daath é o Conhecimento. É a maçã na Árvore e o Relâmpago da criação é a serpente. O Ernest disse-me que se pode ter todo o conhecimento do mundo, mas, a menos que se o entenda, não se tornará sabedoria

M.S.: Por que há tantos avisos sobre rituais que envolvam atravessar o Abismo do Conhecimento, ou mesmo meditações sobre Daath? Em trabalho planetário, não podemos trabalhar sobre Saturno, a menos que o tragamos para baixo, para Daath, ou o atravessemos a um qualquer nível.

DAN: Vou-lhe dizer alguma coisa sobre isso. Todo este bruááá sobre o Abismo. A Humanidade tem construído pontes por cima de grandes vazios desde tempos tão remotos como quando começou a juntar dois tijolos. Se não consegues atravessar o Abismo na tua imaginação, então sai do jogo. É um dos mitos maiores e é aí que há uma barreira psicológica e, se tiveres qualquer coisa dentro de ti, vais passar por cima disso sem nenhum problema. Seja da forma como o fez o Indiana Jones, ou o Spielberg. No Santo Graal, quando se vê o Indiana Jones tentando ganhar coragem para por o pé de fora e eu pensei, se essa não é a arte de entrar em Kether, então nada é. (O Abismo) é para proteger aqueles que não têm a coragem. Não é para denegrir. Há algumas pessoas que dizem, "Não consigo fazer isto, mas vou tentar". Há em algumas pessoas um tal desejo de conhecimento, um tal desejo de compreender que vão até um estado de não-ser para o procurar. De facto, ficas em tal remoinho até esse ponto, onde o ponto és tu e és também tudo fora do ponto. Isso acarreta um enorme sofrimento, porque és tudo e não és nada. Queres voltar e, no entanto, não queres sair dali e entras num estado de aceitação total. Desistes de ti mesmo. Então passas para Hockmah.

M.S.: Isso parece ser a contradição da magia?

DAN: A Magia é cheia de paradoxos. A Magia é paradoxo.

M.S.: No Oriente tu abdicas da tua vontade e aceitas os ensinamentos do guru inquestionavelmente, ou trabalhas em direcção da renúncia. No Ocidente é mais como a Psicosíntese de Roberto Assagioli, em que tens que contruir alguma coisa antes de abdicares dela. Construimos a nossa vontade, talentos, capacidades, ego e, depois, a certa altura, abdicas disso tudo. No entanto, passamos tanto tempo a construí-los que, muitas vezes, não queremos deitá-los fora.

DAN: Sabe, a Golden Dawn tem níveis de iniciação, a SOL tem três. Quando levamos pessoas para a iniciação, elas atingiram um ponto de responsabilidade. Agora és responsável por tudo o que pensas, que és, que fazes e, ao aceitar responsabilidade por tudo isto, retiras essa responsabilidade do Salvador da Era. Se nós colocarmos isso num contexto cristão, as pessoas compreendem-no. É quase como dizer ao Cristo, "Vou erguer-te para que a pressão não esteja nos pregos".

M.S.: Isso é um Sinal da Estação da Cruz. Nós carregamos a Cruz de Cristo connosco.

DAN: Exactamente. Mas há um ponto em que isso já não se torna suficiente. Começamos a ficar orgulhosos dessa responsabilidade, eu posso fazer isto porque estou disposto a tomar a responsabilidade. Há um ponto em que a Vozinha Interior diz: "É o momento de dar o próximo passo". O passo seguinte é, devolve-me a responsabilidade. Ora, ao princípio, isso parece ser uma coisa fácil de fazer. Mas agora, quando a estás a devolver, estás a devolvê-la conscientemente. Antes de teres tido a primeira iniciação. Se as coisas corressem mal, o Salvador da Era aceitava-a por ti e carregava o fardo. Então, aceitaste a responsabilidade e ficaste muito orgulhoso com isso. Agora estás a devolvê-la e tudo o que digas, ou faças, ou em que te tornes, ou o que for, dizes a ti mesmo: "Vou ficar pendurado nos pés deste tipo outra vez? Vou espetar mais pregos outra vez? Tenho que me sentar e pensar nisso".

M.S.: Quando entrevistei Jean Dubuis, o fundador dos PON ( Philosophers Of Nature - Filósofos da Natureza), ele disse que temos que ser muito cuidadosos ao fazer demonstrações de verdades psíquicas e esotéricas, porque isso pode colocar um fardo sobre as pessoas que elas não estão prontas a carregar. Torna-se numa forma de violação psíquica, na medida em que, no momento da morte, uma pessoa sempre podia dizer: "Pai, eu não sabia!" e agora são responsáveis.

DAN: Isso é com a nossa segunda iniciação, a primeira é oferecida, mas, na segunda, têm que vir e dizer: "Estou pronto". Aconteceu comigo. O Ernest costumava dizer que uma iniciação ou vem espiritualmente e fora do corpo, ou fisicamente, mas uma sempre traz a promessa da outra. O meu marido disse-me há uns anos e eu, sem nehuma razão especial, "Gostava de ir a Chartres". Ora eu não sou particularmente Cristã, no entanto digo que fui ordenada sacerdote na Igreja Católica Liberal. Por alguma razão desconhecida, era aí que eu tinha que estar nesse momento em especial. Fui a Chartres durante três dias e estava completamente perdida nesse lugar magnífico, com todos aqueles vitrais maravilhosos. Mas não era o conceito cristão que me atraía ali, era outra coisa. Eu estava lá quando abriam aquilo de manhã, tinham que me atirar fora da porta à noite. Eu vivia naquilo. Na última manhã que lá fui tinha visto mais ou menos tudo e pensei, Que é que eu quero repetir, havia uma missa na pequena capela lateral de Nossa Senhora de... O meu francês é muito enferrujado, mas entrei e ajoelhava-me com todas as velhinhas de preto e levantava-me quando elas se levantavam e ajoelhava quando elas ajoelhavam. Sempre consegui fazer tudo ao contrário. A meio da missa, algo me atingiu e senti a dor física mais intensa que jamais tinha tido. Dar à luz é um brinquedo comparado com o que estava a passar e o suor literalmente brotava de mim, estava a escorrer da minha cara e era gelado. Pensei, 'não sei o que me está a acontecer, talvez esteja a ter um ataque cardíaco'. Mas não é o sítio certo, estava inteiramente a atingir-me o plexo solar. Mesmo no meio disto tudo, alguém me diz "Agora devolve-me a responsabilidade". Recuperei imediatamente e disse: "Não, estou bem assim, obrigada". E continuou e continuou até que no fim eu disse; "Está bem, eu dou-ta". Isso trouxe-me um alívio imediato e foi com ser almofadado, dentro dum casulo de luz que era ao mesmo tempo clara e escura. Pela primeira vez tive a noção de luz negra. O que não tinha nada a ver de todo com satânico ou mau, era ainda luz.

M.S.: O que alguns chamam escuridão primordial.

DAN: Sim, foi perfeitamente incrível. Voltei para casa e não conseguia explicar aquilo, ou falar sobre aquilo durante mais de dez dias. O Mike perguntava constantemente ' O que aconteceu em Chartres?' e eu respondia sempre 'Não te posso dizer'. Não sei o que acocnteceu em Chartres. Mas, a partir daí, tudo na minha vida, tanto quotidiana como mágica e isso vai soar a estúpido, começou a ter mais Luz. Abriu áreas tanto no meu cérebro físico como na minha mente, que eu não tinha usado antes. Uns dias mais tarde, o contacto por trás da escola disse-me: "Agora estás pronta, agora posso residir em ti, mas só se me autorizares". E não houve absolutamente nenhuma hesitação, já estava. De facto, mudou muitas coisas.

M.S.: Chama à SOL uma escola em pleno contacto. Que quer isso dizer?

DAN: Ernest, que era um medium muito bom e sujeito de transe, estava na Inner Light, foi ter com a Dion Fortune e disse-lhe: "Disseram-me que saísse, tenho trabalho para fazer". E ela disse: "Quem lhe disse?" e ele respondeu: "Esta entidade em especial e tenho trabalho para fazer". Ela disse-lhe: "Dê-me vinte e quatro horas". Depois veio ter com ele e disse-lhe: "Vá com a minha bênção, há trabalho para fazer. O contacto será consigo para o resto da sua vida". O Ernest saiu e, conjuntamente com Gareth Knight e John Hall montou o que era então o Helios Course. Quando o Gareth escreveu as seis primeiras lições e decidiu fazer outra coisa, o Ernest disse "Está bem, eu acabo o resto das lições" e o contacto veio e disse: "Bom, escuta bem..." e o Ernest sentou-se e escreveu todas aquelas lições. Esse contacto disse-lhe isto mais ou menos: "O que estou a dar-te é o núcleo duma escola que existiu antes, mas quando o seu tempo naquela Era acabou, o núcleo foi retirado e guardado, agora é o momento para voltar para o próximo período. Aqui está". Poetanto a escola inteira tem crescido à volta deste contacto. Agora atingimos um ponto em que, por muito bom que fosse o curso do Ernest, e nunca pensei quando era mais nova que diria isto, está agora a chegar ao ponto em que tem que ser substituído. E está a assustar-me imenso que eu vou ter que ser quem vai substituí-lo. Ainda tenho um pouco esta veneração pelo herói em relação ao Ernest em que penso que, qualquer coisa que ele tenha feito não pode ser ultrapassada. O uque a minha outra metade diz é que não é ultrapassar, mas melhorar, elevar, actualizar. O contacto foi passado para mim, ele foi a sombra de Ernest durante muitos anos e agora estou eu com ele. Mas tem este hábito desconcertante de me acordar às três e meia da manhã e eu acordo e escrevo coisas, ligo o meu computador, mais isto e aquilo e aqueloutro. Ele diz "Pegas nisto e fazes aquilo e é assim que funciona na Árvore". E eu digo "Era assim que o Ernest fazia isso" e ele responde "Não, não. Assim é como tu vais fazer". Portanto, agora estou no processo de refazer, reconstruir e reenergizar as lições. O trabalho do Ernest ainda é bom. E, basicamente, é uma forma suave de tantra porque o que está a fazer é trazer para cima a energia Yesodica, ou sexual, o centro do lótus de mil pétalas, se quisermos usar um termo oriental, para o realizar. As pessoas usualmente não chegama este ponto até à lição quarenta e quatro quando dizem "OH" e a luz alvorece. Elas usam cartas de tarot, técnicas de meditação (pathworking) ou meditação guiada e outros métodos para chegar lá chegar.

M.S.: Eu mais ou menos senti isso, que Ernest tinha sido treinado na Índia no seu começo e embora nos diga para não fazer pranayana, não se tinha libertado completamente do Yoga indiano.

DAN: Oh não! Ele não se importava que as pessoas fizessem Hatha Yoga, mas as coisas de respiração eram contraditórias e de certa forma negavam o material de respiração que nós temos. Era isso o que ele queria dizer, não tentar por demasiados ovos num cesto só. Mas o curso, tal como ele o escreveu, está a ficar num certo sentido, lasso demais. Como o elástico das cuecas que foram lavadas vezes demais e a tua roupa interior começa a deslizar pelas ancas abaixo. Quando o Helios Course foi escrito não havia mais nada como ele. Foi no começo dos anos sessenta. Para muita gente foi como maná caído do céu.. Não compreenderam que isto estava disponível. Mas agora, só tem que se olhar para a abundância de lojas de livros ocultos. O mundo e a sua esposa estão a escrever livros. Precisa de ser actualizado, porque muita gente entra na SOL com conhecimento suficiente para passarem logo o primeiro ano. A única coisa no Ernest que é diferente, é que ele escreveu lições de efeito rápido. A famosa lição cinco, por exemplo. As pessoas chegam lá e as suas vidas ficam viradas do avesso. Agora já ganhei o hábito e digo às pessoas que atingem a lição nº cinco, ou se o teu número da sorte é o seis e a tua vida inteira vai para o inferno num cesto. Vais mudar tudo, desde a política até às meias. O que está a acontecer é que o nível de pressão interna está a dizer: " É uma coisa interessante, bom, não precisamos disto, não precisamos daquilo e, de caminho, a tua mulher não vai ser de muita utilidade, portanto também pode ir..." e as pessoas estão a divorciar-se e mudando para outras regiões e saindo de empregos de cinquenta mil libras por anos e a entrar para outros de doze mil e quinhentas libras por ano porque dá uma melhor sensação.

M.S.: Mas isso parece ir contra a promessa do movimento New Age. A magia e o misticismo são oferecidas como panaceias para os nossos males, no entanto a realidade é que, uma vez que começamos este caminho, as rachas na nossa personalidade e na nossa vida não são preenchidas, em vez disso são ainda mais rasgadas e somos forçados a reconstruir desde o zero. Isto força muitos deles a levantar as mãos e desistir de todo dos seus estudos.

DAN: A nossa gente volta. Só tivemos um, que saiu há doze anos. É maravilhoso! Isso diz-me que a escola é boa, que o contacto é bom e que ainda aí está, que o trabalho é válido. Porque eles foram capazes de o levar consigo, as sementes, quase sempre disseram: "Continuo a fazer a Saudação do Meio-dia e continuo a fazer a retrospectiva do fim do dia". E eu penso, então tudo bem. É isso o que queremos dizer com a palavra 'contacto'. Se não houver contacto, se não houver nenhuma ligação, aquela volta do arco, então não voltam, porque não há razão para voltar. É como a ideia da Cientologia, que, se te ligares uma vez com alguém, seja mentalmente, seja muito profundamente, a nível social ou sexual, o elo entre os dois está aí. Ora nós como que usamos isso num sentido diferente da Cientologia. Onde o professor por trás do curso diz "Vou ter-te". Pum. Estás ferrado. E depois, vás ou fiques, és dele. E, a algum momento, ele vai puxar-te de novo para si e dirá: "Agora compreendes?" e tu dirás: "Sim e estou pronto a continuar".

M.S.: Como a história bíblica do filho pródigo.

DAN: Sim.

M.S.: Há pouco falou de a magia ter na base da sua crença, a ideia de que podemos de algum modo tornar-nos donos das nossas vidas, dos nossos destinos. No entanto, tantas vezes, pessoas que estudam magia estão materialmente pior que os seus vizinhos e os seus estudos esotéricos são criticados como tendo um impacto negativo nos seus padrões de vida e qualidade de vida.

DAN: Ernest Butler era padre e sentia que a pobreza e a espiritualidade andavam de mãos dadas. Israel Francis Regadie, o querido Francis leu-me a lei da rebelião e disse: "Mas que raio é que este tipo anda a ensinar-te, se tens que te preocupar com a conta de electricidade não podes ser espiritual. Sai e vai ganhar dinheiro, rapariga!" Portanto, sinto-me entre a espada e a parede. Portanto passo o meu tempo a trabalhar duro. Passo os meus dias a fazer dezasseis, dezassete horas na maior parte deles. De facto, vir aqui é fazer férias. Eu não faço dias de folga, porque venho aqui e tenho dias inteiros em que só me sento e falo com as pessoas, ou consigo mesmo ir cedo para a cama, ou ver televisão. Fui ao cinema uma noite destas e vi "Missão Impossível" e gostei muito. Não é muitas vezes que tenho tempo para fazer uma coisa destas. Estou no escritório pelas nove horas e saio de lá cerca das dez ou onze da noite. Agora que o meu marido, Mike, está reformado, é mais fácil. Isso é o que é agradável neste trabalho, não tens que te reformar.

M.S.: Este tema parece ser recorrente com muitos magos, particularmente neo-pagãos. Há um livro escrito muito bom, chamado Never Again the Burning Times, de Loretta Orion, que examina a comunidade neo-pagã nos Estados Unidos e como muitos deles ganham a vida. A maioria dos inquiridos ganha menos que o ordenado médio. Esta contradição entre a filosofia e a realidade material leva muitos a perguntar-lhes: "Se podes controlar o teu destino, por que não tens uma melhor qualidade de vida?"

DAN: Há diferentes maneiras de olhar para a qualidade. Eu não tenho uma casa grande. O maior quarto da minha casa não é tão grande como este. Tenho uma casa de banho exterior, não também, mas em vez de. Contudo, mandei dois filhos para a Universidade e viajo pelo mundo. Não conduzo um carro, prefiro olhar para a paisagem e deixar que outros guiem.

M.S.: Mas também vive numa ilha pequena

DAN: Sim, também vivo numa ilha pequena. Tenho viajado pelo mundo. Não tenho fome. Não sou suficientemente jovem nem tenho a figura para a roupa do Christian Dior, portanto, contanto que esconda as deformações do meu corpo a envelhecer depressa, é tudo o que realmente é preciso. Posso permitir-me comprar livros e saio duas ou três vezes para jantar a cada dois ou três meses. Não preciso de mais. Se um dia pudesse ter um luxo, seria viajar em classe business. Estou farta de andar no camião de gado! Mas, por outro lado, as pessoas que para quem venho falar pagam o que podem para me ouvir, ou receber o que quer que eu possa ensinar, mas não podem pagar-me as viagens de ida e volta em classe business. Mas isso é uma pequena parte, de facto vou viajando. A América do Sul é realmente o único sítio onde ainda não estive. Já tive riquezas! Ter um penthouse em Nova Iorque, um apartamento em Montmartre e outro em Londres, não posso viver mais ao mesmo tempo. Por outro lado, Mark, se eu quiser, tenho um sítio na Suécia, na Austrália, em Espanha, Nova Zelândia, Hong Kong, Bali. São as pessoas que me disseram "Dolores, em qualquer altura que queira vir, aqui está em casa". Tenho casas com famílias. Não preciso de mais nada.

M.S.: Vamos falar de anjos.

DAN: O que é que eles não são? Não são os seres fofinhos, vitorianos, vestidos por Armani com cabelo aos caracóis, de sexualidade algo duvidosa que os vitorianos tanto amavam! De facto obtemos as nossas ideias sobre os anjos de pessoas como Michelangelo e Rafael e, claro, dos vitorianos. Mas são extra-terrestres. Bolhas de energia flutuantes que receberam uma alma para uma coisa específica. Não se encontra um anjo, à parte dos arcanjos, que pareça pensar e relacionar pensamentos e sentir da mesma maneira, ou sufucientemente próxima da maneira que os seres humanos. A maior parte deles são uma espécie de novelos de energia, aparecem, cantam aleluia, graças ao Senhor ou outra coisa qualquer e desaparecem outra vez. Os querubins são as hostes angélicas de Yesod, os Fortes Todo-poderosos, que os cabalistas imaginam andar por aí completamente nus e cheios de músculos, como o Arnold Schwarzenegger sem a tanga.

M.S.: Como quando ele se materializou em 'Terminator'?

DAN: Sim. Cada um, tens os Chasmalim, ou os Brilhantes; os Serafim, ou Serpentes de Fogo, em oposição aos Querubim, os Ashim, as almas de fogo, os Eralim, círculos de fogo com asas, os Tronos, os Príncipes, os Domínios, todas estas coisas e isso significa que há um conceito de forma que é diferente para cada um destes. Aqui não estamos a falar de Arcanjos, mas das hostes angélicas. Duerer, quando estava a representar alguns dos arcanjos, levou as coisas literalmente. Deu-lhes um corpo que era assim como uma explosão de uma estrela e colunas dóricas reais a servir de pernas, porque eles eram descritos como tendo pernas como colunas. Por outro lado, uma vaga nuvem com dois olhos porque as feições não se podiam distinguir. Isso é mais próximo do que é um anjo, ou como pode ser visto. Eu fui ensinada a distingui-los e a usá-los simbolicamente, como formas geométricas porque essas são formas básicas.

M.S.: Essa é uma das críticas à Cabala, é antropomórfica demais e que a constante visualização de seres divinos em forma humana é, em si mesma, uma forma de armadilha astral. Para as entender verdadeiramente, temos de os entender como energias abstractas. É aqui que entram as meditações geométricas, ou sobre os nomes, soletrados em Hebraico, ou outra forma qualquer de meditações. Em vez de os fazer parecer com humanos radiantes, com asas, túnicas e um cabelo lindo.

DAN: Uma vez que os meus estudantes passem dum certo nível, em que as suas mentes estão suficientemente soltas para que eu lhes introduza novos conceitos, eu digo-lhes que encarem os angélicos e mesmo o seu conceito dum Criador, como um padrão de energia. Ora, em certo sentido, a Árvore da Vida é um padrão de energia. Basta olhar para isso e é quase como olhar para o padrão dum átomo. Parece uma coisa diferente, com uma cauda na ponta. Mas um padrão de energia. Mais uma vez, aqui estamos a voltar à física quântica. Esta está a chegar a um ponto em que diz que somos todos feitos de partículas. Se vir isto num sentido cósmico, somos corpos físicos, com uma série de cosmoi, com espaços enormes entre eles. Isso é suficiente para arrepiar a mente dum estudante novo. Começa a arder em fogo lento. Mas se começares por lhes dizer qualquer coisa com respeito a Binah, a Esfera da Compreensão, pensa nela como um triângulo. Porque essa é a forma geométrica de Binah. Com Hochmah, a Esfera da Sabedoria, uma linha recta e se tens que pregar asas em qualquer coisa, prega nessa. Um bastão alado, tens un caduceu. Tens que lhes meter na cabeça e então tens um calço metido, um pé na porta, podes começar a abri-lhes a imaginação. Dion Fortune pôs o dedo na ferida quando disse que os Mestres, tais como os conhecemos, são tudo imaginação. Tem que se desmontar a frase e ver quase sílaba por sílaba, para chegar ao que ela quer dizer. Eu lembro-me de uma vez ter dito ao meu contacto: "Bom, neste momento és uma voz sem corpo, qual é o teu aspecto?" E a resposta foi: "Com que é queres que me pareça?" Claro que, com o meu sentido de humor eu disse "Algo alto, moreno, bem parecido e bem musculado", o que, imediatamente, foi projectado para a minha mente. E eu disse: "Assim está bom, também tens carro?" Mas, de facto, o que eu tenho é uma relação simbiótica com algo que não é, nunca foi nem nunca será humano. Não me importa se as pessoas a quem conto pensarem que eu sou doida, sei o que tenho e como tenho interagido com ele em mais de um quarto de século, portanto não me preocupa realmente o que as outras pessoas pensam. Mas eu disse a este meu companheiro, 'Como é que isto funciona, por que é tão importante que sejas parte da minha organização de partículas' e o que tive de resposta foi algo de totalmente espantoso. Já alguma vez te defrontaste com o conceito de fada esposa ou esposo? As fadas não têm almas, como diz a tradição, mas podem unificar-se com um ser humano, partilham uma alma. O que eu tenho quase e é aqui que a coisa começa, há aqueles que são capazes de aceitar uma relação simbiótica quando acontece mesmo, dá à entidade, que é tão velha, que é capaz de ser um professor porque tem todo o conhecimento. Não é humana, vivia num cosmos do além, talvez à distância de três ou quatro noites de Brahman e optou por servir e portanto está no sonho de Brahman quando dorme.

M.S.: São esses os Mestres Cósmicos tantas vezes referidos?

DAN: Sim.

M.S.: Parece haver contradição num sentido. Estes são aqueles que dizem que os Mestres existem de facto e que, até certo ponto, se incarnam de facto.

DAN: Está a falar dos Senhores da Humanidade. Eu estou a falar dos Senhores da Mente, da Chama, da Forma, Senhores da Humanidade.

M.S.: Quais são as diferenças entre eles?

DAN: Os Senhores da Chama são as entidades que vêm do Sonho de Brahman no início dum Cosmos e que tomam sobre si a construção de leis que dirigirão esse cosmos. E estam0s a falar de coisas como gravidade, força centrífuga, tudo o que tem que estar no seu sítio antes que as coisas comecem realmente a acontecer. Depois disto estar preparado e o enquadramento do cosmos estar montado, as coisas começam a ganhar forma e, depois, dessas Leis vêm os sóis, as estrelas, os sistemas planetários. Quando esses estão no lugar, este é o trabalho dos Senhores da Forma, eles têm que estar, se for possível, a vida tem que ser encorajada a formar-se. E claro que não tem que ser a respirar oxigénio, com duas pernas, ou seja lá o que for. Esse é o trabalho deles. Quando uma dessas formas de vida começa a olhar para cima e a interrogar-se: "Que serão eles? O que serei eu?". É aí que os Senhores da Mente entram. Eles são os professores, pelo menos como nós, no mundo oculto, falamos de professores. Por fim, os seres humanos, ou parte das espécies de vida, começam a ir para lá do resto das espécies e tornam-se o que os antigos egípcios chamavam, Homens Justos tornados Perfeitos, os Justificados, que é quando eles começam a assumir a responsabilidade de ensinar a sua própria espécie. E, durante uma época, tem-se os Senhores da Mente e os Senhores da Humanidade a trabalhar em conjunto. Menaleque, o filho de Salomão e de Balcki, é considerado o Mestre Etíope, Hypatia foi uma dos Justificados, todo ao longo da História se encontram seres humanos que evoluíram até ao ponto em que podem começar a ensinar o seu próprio género. E que se libertam da necessidade de encarnar e podem dizer 'Eu fui humano. Eu caminhei na Terra'. O Senhores da Mente não podem dizer isso.

M.S.: Isto é parte da mutação que mencionou antes, estes Homens Justos tornados Perfeitos?

DAN: É o princípio. O meu contacto disse-me que esta Era do Aquário é a última em que forneceremos um salvador. Depois, é com vocês. Isso é um pensamento aterrador. Fornecer o nosso próprio salvador da era. Isto significa que, com a Idade de Capricórnio, vamos ser juntos com o Senhor da Humanidade como Salvador. O que os Senhores da Mente querem dizer é que não vão residir em nós, ou proteger-nos à sua sombra, outro salvador depois deste, só vos ajudamos mais uma vez. Depois terão que tratar de vocês mesmos, são adultos, tornaram-se maiores de idade.

M.S.: A ideia do Avatar, o avatar é aquele ponto do Ganges ou outros rios onde se pode descer e entrar na água. Essa é a raiz da palavra e a descida, ou Protecção como é chamada, é parte do processo de encarnação do avatar. Foi-me feito ver que o avatar só aparece quando e onde é mais necessário. E, enquanto tantos rejubilam nesta ideia dum Salvador, o que eles esquecem é que tem que ficar geralmente mesmo mau antes que apareça um. A escuridão é a causa e o Cosmos está a dizer 'Vamos dar-te uma injecção de B12 aqui para te por a andar'. Arrancar o motor de empurrão.

DAN: Penso que em todo este processo, estes salvadores parecem vir de linhas sanguíneas especiais. Sei que há muita gente aos gritos acerca de engebharia genética etc., mas, se quiser, os corpos são manipulados geneticamente, para que produzam, segundo entendo, é um corpo etérico muito solto que se pode empurrar para o lado. Isso permite que outra coisa qualquer tome o seu lugar, que age e reage ao meio e escolhe um grupo à sua volta que possa ensinar e, portanto, providencie um núcleo para continuar e sair. É como uma explosão em miniatura- Como que se pega num átomo, esse átomo em certa medida torna-se num duplo, porque tem um Residente. Ou Protector e depois a explosão sai para fora, afectando todas as outras partículas que se tinham tornado pequenos núcleos também. Mas isto destrói o central e será sempre destruído. Como Osiris foi destruído, ou Orfeu, ou o Nazareno, eles não duram muito tempo. Por uma razão, a enorme energia necessária simplesmente queima-os. O sistema endócrino fica descontrolado.

M.S.: Como é que isso se encaixa nas duas teorias que dizem, que a força de Cristo voltará na forma duma única pessoa, tal como um outro Jesus ou, em vez disso, haverá uma descida geral de consciência em toda a humanidade?

DAN: De uma compreensão. Uma capacidade de usar mais o cérebro físico do que temos feito até ao momento. Colin Williams é peremptório nisto. Tivemos muitas discussões sobre esta ideia, ele tem isto na cabeça e eu concordo com ele. Somos capazes de fazer, compreender, criar, expandir muito mais do que estamos a fazer. Só temos medo. Estamos outra vez a ver o Indiana Jones a hesitar à beira daquele abismo. Quero dizer, agora estamos a olhar para a nossa especie inteira. Como que tem um pé de fora, a balouçar e a pensar: "Atrevo-me a pousar este pé?" Posso confiar? E não estamos a confiar em nós mesmos. Quantas vezes, Mark, teve um pensamento na cabeça e saiu trunfo e você como que pensou consigo mesmo "Cristo, se ao menos tivesse apostado naquele cavalo!" Ou "Se ao menos comprasse aquele bilhete de lotaria". Eu estive a ver a Lotaria da Pennsylvania há uns dias e a divertir-me a adivinhar números. O único que não acertei foi o último. Mas, claro, eu não tinha comprado o bilhete! Tenho um dos bocados de talento de prognóstico mais inúteis que se poderia jamais desejar. Às vezes digo ao meu marido; "Lembras-te disto e disto? Adorava ver isso outra vez". Então no espaço de dez dias, vai aparecer na televisão. Eu posso cheirar as coisas a chegar e toca uma campainha na minha cabeça. Da última vez que estive aqui, em Abril ou Maio, estava deitada na cama na noite antes de partir de Filadélfia e a pensar 'o que eu realmente mais queria neste momento, é chegar a Boston, descobrir que sou a 10.000.000ª passageira e que me vão dar um bilhete grátis em primeira classe, com uma garrafa de champanhe e um ramo de flores. Virei-me e fui dormir. Cheguei a Boston. A rapariga disse: "Desculpe, Mrs. Ashcroft, estamos cheios aqui atrás". Pensei: "Vão deixar-me aqui!" Em vez disso, decidiram subir-me de categoria. Subo e fui para casa em primeira classe, mais champanhe. A única coisa foi que não tive flores. E, Mark, não se pode censurar com duas em três.

M.S.: Isso faz-me lembrar o velho ditado, tem cuidado com o que pedes, se calhar até o obténs. Especialmente quando assumimos este papel de sermos o nosso próprio salvador e nos tornamos responsáveis, não só pelas nossas próprias acções, mas também pelos pensamentos. Nesta linha, descobri que muitos magos cerimoniais são excelentes em visualizar imagética simbólica complexa, mas, quando se trata de uma visualização fácil como, como disse, "Quero uma subida de classe no meu voo, ou um trabalho melhor", ou algo de semelhante mas muito tangível e concreto, nas suas vidas, muitas vezes falham.

DAN: Isso é porque não acreditam. Não largam a forma de pensamento que criaram e não a deixam fazer o que lhe compete.

M.S.: Estávamos a falar sobre anjos, e pergunto-me se poderíamos voltar a esse tema só por um pouquinho. Os Anjos da Guarda são os nossos Egos Superiores, ou será um parente afastado tomando conta de mim como alguns têm dito?

DAN: Penso que, ocasionalmente, um parente que já passou para o outro lado, possa ficar por aí algum tempo para ajudar um neto ou um filho muito amado a atravessar um período difícil. Não considero isso um Anjo da Guarda. Muitas vezes conto uma história nos meus workshops de uma gravura que a minha falecida sogra deu à minha filha quando ela tinha cinco anos, chamada "O Anjo da Guarda". Era de duas crianças pequenas a brincar à beira duma ravina, caçando borboletas. Caem da borda, foram-se não têm uma réstea de esperança, estão a cair por ali abaixo. E aí está esta coisa benigna com ar de estúpido com asas a ir... Ele não está a fazer o seu trabalho! Estes miúdos foram-se. Já estão mortos.

M.S.: O Anjo da Guarde não é para nos acompanhar no além-vida, mas nos proteger de chegar lá prematuramente.

DAN: Exactamente! Ele não está a fazer o seu trabalho. O que eu penso na realidade, num certo sentido, é que nós somos os nossos próprios Anjos da Guarda. Mas não nos ouvimos a nós mesmos. O que não escutamos é o que eu estou continuamente a dizer às pessoa e que ninguèm na verdade, para falar de crencinhas de nada, é que há um bocado de Divindade em nós. E ninguém acredita nisso. Dizem 'Pois sim, nós sabemos isso...'.

M.S.: Não é por isso que invocamos os deuses?

DAN: Sim, porque não conseguimos acreditar. Tem que estar fora. Se não estiver fora, não é real. No entanto, isto, eu não alinho. É aqui que está (apontando para o peito). Em certo sentido, nós somos o nosso próprio Salvador, o nosso próprio Anjo da Guarda. Se pensarmos em Deus como "Pai nosso, que estás no Céu...", estamos a empurrá-lo para fora outra vez. Esse é um verdadeiro polícia lá fora. Dessa forma podemos lançar culpas. Se estiver aqui dentro, temos que o aceitar. Faremos o nosso próprio universo, faremos as nossas próprias vidas, faremos o nosso próprio ambiente, quando nós, a nossa espécie pudermos ser totalmente individualizados e reconhecer-nos como Malkut (o Reino) junto com Kether (a Coroa, o ponto de origem). Khala, a Noiva, no Trono e coroada por Kether. Então, em certo sentido, Osiris reúne-se, todos os bocados foram colocados juntos, incluindo o todo importante falo, o importante ponto criador, à volta do qual tudo parece evoluir, mas toda a gente anda com pés de lã à sua volta. "Na verdade não devemos falar disto, não é agradável..." Alguns ocultistas são mais púdicos do que se pode imaginar.

M.S.: Uma das coisas que me lembrei mais sobre forças angélicas, quando se chama um Arcanjo, algumas pessoas pensam que estão a chamar um tipo chamado Miguel, em vez de verem o que isso quer dizer em hebraico "Que é como Deus". Portanto, quando invocamos Arcanjos, estamos a invocar estas qualidades, não indivíduos.

DAN: Quando os chamas, estás a invocá-los de dentro de ti mesmo. Quero dizer, podes fazer isto de outra maneira. Podes pegar no soletrar o nome em hebraico. Aqui está Mem, aqui está Heh, aqui está Lamed e podes dizer a ti mesmo que são símbolos e obter poder deles também. Eu faço a minha parte, desmonto as letras e faço pequenas vinhetas ou pequenos hieroglifos. Fazer disto uma meditação guiada. Vêm coisas espantosas disso.

M.S.: Isso lembra-me algumas das escolas de Cabala medievais, em que é dispensada a Árvore da Vida e só as letras hebraicas e os Nomes Divinos ou mantras são usados para meditação. As letras então são vistas como padrões energéticos e, se estivessem todos ligados entre si para formar um Nome, seriam vistos como uma onda sinusoidal num osciloscópio ou semelhante aparelho de leitura de energia.

DAN: Sim, exactamente!

M.S.: É sugerido que, quando desenhamos o sigillum, ou aquelas linhazinhas esquisitas dos vários nomes sobre quadrados mágicos ou talismãs, estamos realmente a desenhar o padrão energético literal das forças invocadas.

DAN: Penso que sim, de facto. Isto volta ao que eu estava a dizer que estas pqrtículas de que somos feitos, ou de qualquer coisa é feita, incluindo aqueles padrões de energia a que chamamos anjos, são vortexes. Se desmontares uma partícula, depois dos neutrinos, obténs vortexes, como remoinos de energia. Isso é espantoso, porque o que quer dizer é que tudo é o mesmo. Tudo é um desses, em várias combinações. E se isso é o que é tudo, também é o que é o espaço entre tudo. E, por isso, nada está separado.O que nos traz outra vez à física quântica. Posso dizer 'a chávena e eu somos um só' e, quando a toco, não há nada entre mim e a chávena. As bordas estão embaciadas, a energia da chávena e a energia dos meus dedos estão a interagir, isto é o que posso dizer, posso senti-lo. Se pudesse alterar a minha percepção, poderia enfiar o meu dedo através dela porque, basicamente, se eu expandisse o universo do meu dedo, seriam partículas, milhas e centenas de milhares de anos-luz entre cada um. Portanto, teoricamente, eu deveria ser capaz de me movimentar através dela, é uma quarta dimensão.

M.S.: Então acredita que viajar fisicamente no tempo é possível. Reparei que esse é o tópico do próximo workshop em Londres com J. H. Brennan.

DAN: Acho que é. De verdade. Nós temos um exercício chamado ponto de focagem. Um ponto de focagem é um ponto no tempo, em que queres estar, ou para onde te queres transferir. Nós usamo-lo, na maior parte das vezes, num aspecto de observação. Mas eu ensino-os a ser muito específicos. Quero uma data e uma linha temporal. Isso então limita-te porque não podes saber o que vais ver ou onde vais estar nesse momento. Já tenho tido pessoas que se cansaram um pouco disto, porque tendem a ter a mente materializada metade dentro e metade de fora de qualquer coisa e têm que voltar e reajustar-se e continuar. Penso que é possível. Peguemos no velho Ezequiel e na sua visão. Ocorreu-me mais que uma vez, um dos nossos a aterrar, ou, possivelmente, alguém mais adiantado que nós, sentar-se e assustar o homenzinho a sério. Que provavelmente deixou um grande trilho molhado atrás dele. E temos também o Elias, que de facto se foi embora, levantou voo!

M.S.: Isso conduz a uma área não bem discutida nas Tradições Ocidentais, mas bem explicada, completa com as técnicas, nas Tradições Orientais do Yoga da Manchúria, chinês e tibetano, a ideia do "Corpo arco-íris", onde, no final da sua vida, o adepto literalmente leva o seu corpo físico consigo. Tens Jesus a fazer isso, Maria e mesmo Maomé, que até leva o seu cavalo e diz-se terem ascendido fisicamente ao céu.

DAN: E tens as desaparições. Temos tipos que caminham no meio dum campo e desaparecem. Temos um rapazinho que vai dar de comer ao cavalo no celeiro, grita duas vezes "pai, vem buscar-me" e desaparece. Há uma fenomenologia a acontecer e, algumas das coisas, neste momento, não podemos controlar. Mas, pela minha parte, não estou preparada para dizer que isso é impossível. Porque não sei.

M.S.: Como se pode ter a certeza?

DAN: Nada é certo, o universo inteiro é um padrão de incerteza. Brahma pode acordar dentro do seu sono. Ele pode ter um momento lúcido e onde raio ficamos nós então? O que nos traz ao tempo do sonho aborígene. Uma vez perguntei a um aborígene quando tinha acontecido o tempo do sonho e ele olhou para mim como se eu fosse completamente doida e disse "Não acabou! Sempre foi, sempre será". E há bastantes aborígenes que desaparecem.

M.S.: No livro First Steps in Ritual (Primeiros passos no ritual) dá um rito chamado "Defensor da terra". No entanto, nos Estados Unidos, os ocultistas tendem a gaurdar-se para si mesmos, e muitas vezes caem no que é chamado contra-cultura. Historicamente, contudo, são eles que nos têm empurrado para a frente, seja Francis Bacon, Thomas Jefferson ou as pessoas que eles conheciam e de quem nós nunca ouvimos falar. No entanto, neste país estamos a entregar a nossa cultura àqueles que seriam os nossos piores defensores, os cristãos fundamentalistas, ou ala esquerda, que preferiam que tudo caísse aos bocados e não dar valor às lutas que se têm passado. Por que é que os esoteristas desistiram do seu papel de se encontrarem na frente da acção de definir as normas culturais?

DAN: Acho que vai achar esta ideia do defensor muito viva. Por exemplo, uma das minhas lojas, a Lodge Merlin, tem alguém de vigia na costa. Penso que, neste momento, aquilo de que está a falar está a acontecer aqui, neste país. Num certo sentido, é tudo parte da vossa dolescência. No fim de contas, vocês só têm duzentos anos de idade e estão a entrar na vossa fase rebelde da adolescência. Há muitos anos, Llewellyn lançou a Gnostica e eu escrevi um artigo em que dizia que pensava que a raça americana seria a raça esotérica principal. Baseei isso no facto de pensar que o Homem Vermelho, o índio americano iria desaparecer e desapareceria para dentro da linha sanguínea dos americanos e seria a substância de ligação, o mecanismo pelo qual todos seriam puxados uns para os outros porque ele foi o primeiro e, em certo sentido, seria o último. Enquanto vocês tiverem áreas em que são todos judeus, italianos, hispânicos, enquanto assim for até que alguém decida mexer a sopa, não podem ser um. Quando o homem vermelho, em certo sentido, se tornar o agente de ligação, então a América recuperará a sua espiritualidade. Ele será o elo e será o poder e reclamará a terra de que teve que abrir mão. Não o fará como o índio americano, mas o seu Eu Superior, se quiser, a espiritualidade dessa raça. Estou firmemente convencida de que a América tem um futuro enorme. Vai ter que batalhar muito duramente por ele. Penso que vai ter que mergulhar na escuridão antes de se erguer. Mas, por outro lado, todos os adolescentes se afundam na escuridão antes de se erguerem e se tornarem seres humanos

M.S.: Isso volta ao papel do avatar. Só temos a oportunidade de ver a luz quando as coisas se tornam verdadeiramente desagradáveis. Verifiquei que não há nenhuma menção à magia Enoquiana no material que têm no vosso website. Por quê todos os avisos acerca da Enoquiana e os seus pretensos perigos?

DAN: A Enoquiana é muito à base de tons (sons).Eu fui treinada como actriz e cantora há muitos anos. O som tem um efeito estranho em mim. Posso entrar directamente em transe quando diz respeito a isso, sem nenhuma hesitação. Um dos nossos supervisores saiu há muitos anos para ir estudar a Enoquiana. Ele é um ocultista muito, muito competente, um ritualista muito bom. Uma pessoa muito terra-a-terra. E, dois anos mais tarde, estava com os nervos em frangalhos. Ele tinha disposto dum quarto na casa dele para um templo, tinha-o mobilado e, durante dois anos, quase todos os dias passava ali algum tempo, ou praticando uma chamada, ou fazendo rituais Enoquianos mais longos. Começou com ele a entrar no quarto um dia e descobrir toda a mobília empilhada num extremo. Voltou a arrumá-la e disse para si mesmo "Isto não aconteceu". Aconteceu outra vez e outra e, finalmente, um dia descobriu o seu altar virado de pernas para o ar. Ele desconsagrou todo o quarto e fechou-o e disse "Não posso mais fazer isto". O que quer que fosse pensado "bom, talvez ele não queira voltar a fazer isto", mas fez. Ele começou a encontrar as coisas pela casa, todas amontoadas num canto, empilhadas uma nas outras. Um dia entrou e encontrou dois dos seus livros, um deitado, um sobre a lombada e um copo de água em cima. Ele tentou tudo, benzeu a casa, limpou a casa e chamou um padre para a exorcizar. Uma das cloisas que as pessoas não sabem sobre o exorcismo é que na verdade não se pode usá-lo em coisas que são mais velhas que a cristandade. Por fim, desistiu de todas as formas de ocultismo, vendeu todos os livros, mas não antes de estar mesmo à beira de um esgotamento nervoso.

M.S.: Jean Dubuis (fundador dos Filósofos da Natureza) disse-me que o rito francês do séc. XVIII dos Eleitos de Cohen é semelhante ao Enoquiano no sentido de que abala o sistema tão dramaticamente que, quando os bocados se reorganizam, se paga um preço muito alto. Por que é que o Enoquiano é tão duro a bater?


DAN: É o sónico. O som é a vibração básica do universo. Todos aqueles pequenos vórtices podem ser mandados para outro lado. O som é verdadeiramente muito poderoso. Ainda não chegámos de facto a dominar isso. Sei de ciência certa que há sistemas de defesa baseados no som. Eu digo que não faço nada (Enoquiano) mas fui persuadida por Herbie Brennan, há um par de anos, numa aula para Mestres, a juntar-me a uma cerimónia enoquiana, que era para a invisibilidade. Estamos a falar de quarenta pessoas, aqui. Claro, todas aptas para estarem numa classe de mestres, alguns há cinco ou seis anos, outros há muito mais tempo. Estamos a meio da cerimónia e eu estou sentada e olho para baixo. Ora eu tenho problemas com as alturas e o que estou a ver é espaço total. E penso 'não vi isso'. Depois saímos dali e eu digo ' Não viram aquilo? Não havia lá nada!' e ele responde 'eu nõao vi nada'. Isto foi a um Sábado à noite. A minha filha vinha de Yorkshire na manhã seguinte. O sítio onde isto se passou é chamado Wellington Park e é no alto duma colina. Do topo da colina pode ver-se seis condados. A Tammy vinha a subir no carro. Nós estávamos a dizer 'que dia lindo, pode ver-se Worcester e Silvershire e Lincolnshire e a Tammy andava às voltas porque não conseguia achar o lugar. Quando finalmente chegou lá, com duas horas e meia de atraso, disse que o nevoeiro era incrível. E nós perguntámos 'qual nevoeiro?' e ela respondeu 'O que é que vocês dois têm estado a fazer, a tornar-se invisíveis?' Ela nem sabia que estávamos a fazer este ritual em especial. Temos sempre como que perder os sentidos. Temos que sair de... Temos que aceitar que podemos fazer estas coisas.

M.S.: Que conselho pode dar a aspirantes a esoteristas?

DAN: Registar tudo, por pequeno que seja, porque vai ser capaz de fazer referência de novo a isso tudo. Se registares as coisas, vais descobrir padrões e estes são importantes, porque então vais poder ver os padrões a formar-se antes de acontecer. Podes preparar-te para eles e entrar na experiência. Não tens medo dela e regista-la como acontece. A única maneira de fazer isso é registar. Não vale a pena dizer 'Eu tenho boa memória, vou-me lembrar disso' e, de manhã, nicles. Portanto, não, eu não vou para a cama sem ter um gravador de som, ou um bloco e uma caneta. As pessoas não realizam, imaginem só se pessoas como Dion Fortune tivessem um gravador de som. Teríamos a voz dela, teríamos tido os pensamentos dela, teríamos um relato golpe por golpe do seu desenvolvimento. Até o Ernest, que martelou estas coisas na minha cabeça, não fazia os seus registos. Por qualquer razão não queremos tornar as coisas permanentes, ao tomar nota delas. Temos medo que, ao voltar a lê-las, soe a estúpido. Fazer um registo significa que podemos deixar qualquer coisa para trás. É um mapa duma região que estamos a explorar.

M.S.: Como é que Shakespeare o definiu "O país não descoberto?"

DAN: "... o limite de que nenhum viajante regressa". Eu disse à Pat antes de vir para aqui, 'gostaria que no momento do último suspiro, pudéssemos enfiar uma destas coisas (um gravador) no cérebro de alguém. Não há muito tempo eu disse a alguém que nada no universo tem a realidade que nós lhe atribuímos. É só porque temos órgãos de visão e de audição que podemos de facto ver e ouvir coisas. O que estamos realmente a percepcionar são ondas e traduzimo-las em objectos. Há um ponto em que tu podes de facto reverter isso e passar ao vazio, o que é bastante o que aconteceu lá (durante o ritual enoquiano).

M.S.: Então é o uso dum símbolo? Pegar no concreto e seguir o trilho para trás, através do abstracto, até ao infinito?

DAN: Sim. É como voltar ao Ain Soph, o Nada Primordial de que veio toda a Criação.

M.S.: Algumas pessoas dizem que há um limite de até onde podemos ir enquanto encarnados. Que não podemos experienciar alguns destes níveis mais altos da Árvore. Isso é uma afirmação absoluta ou é relativa?

DAN: Penso que é relativa. Para ser perfeitamente honesta, penso que os seres humanos podem ir tão longe quanto queiram. A única coisa que os pára é o medo. O medo é uma emoção poderosa. Sim, há coisas de que tenho medo, mas, Deus, a minha curiosodade é maior que o medo. A minha mente Geminiana detesta pensar que há aí alguma coisa de que não sabe e eu pressiono para continuar. O meu ascendente Escorpião diz "não faças isso, vamos sentar-nos aqui" e pensa sobre isso, que há ao virar da esquina e o meu meio-céu Leonino está a dizer "podemos fazer dinheiro disto?"
Oh, Deus! Eu adoro a vida! Mesmo!