terça-feira, novembro 18, 2003

Cicatrizantes!

A pedir respostas cicatrizantes chegaram-me as seguintes questões:

Que estaria eu agora a fazer se não me tivesse passado pela cabeça deixar aqui estas dúvidas?
O que é que há de fascinante em não perder?
Qual é a pergunta mais difícil de fazer?
A que pergunta nunca aceitarás responder?
Quando foi a última vez que choraste?
Qual foi a coisa mais importante que já perdeste?
Que respondes quanto te perguntam o que é para ti verdadeiramente importante?
Se um dia te esqueceres de tudo para onde irão as memórias que perdeste?
Quantas faces tem o ódio?
Se atingisses a felicidade havia alguma razão para não continuares?

segunda-feira, novembro 10, 2003




Querido amigo,

Depois deste interregno, devo confessar que o meu entusiasmo se gorou pelos meandros dos UVAs, nas praias de Metinaro e Areia Branca... (Não se esqueça que no monte de Zumalai não existe acesso à internet!) Pondera-se como comunicar, daqui do monte, sabendo que quem lê, algures por esse mundo fora, pode ficar mais ou menos impressionado pelo que sai nas linhas electrónicas e balbuciantes com que se tenta brincar com as coisas. Pondera-se como dizer o que apetece, respeitando um qualquer ordenamento de frases que estimule os olhares e, por inerência, o córtex de quem aproveita este momento de descontracção. Pondera-se se é necessário, quiçá por marotice, deixar um qualquer azedume, mal vincado, perdido nas entrelinhas. Ou se é preferível adoptar-se um estilo mais Magnum 47, directo, mordaz, calunioso. Pondera-se se o encosto, feito de uma árvore retorcida, é o mais útil, e se escrever num teclado tão pequeno pode contribuir para o reumatismo. Ou se basta de tuaca, que está a começar a afectar a capacidade de percepção do que aparece no ecrã, e o que apetece mesmo é um Chivas... Escrever, devagar, sobre o ritmo da meia-ilha, citando certo dia uma consultora... escrever mais depressa, sobre os que vão e vêm... escrever a uma velocidade talhada para os que se afirmam moderados, os contextualizadores que conseguem explicar tudo, comentar tudo e concluir tudo. Porquê este fascínio? Porquê andar, de mão em mão - como os papéis a pedir isenção de visto de entrada - à procura de um estilo próprio, que defina o espaço, que defina a vontade de escrever. Pois é, aqui tudo se sabe e tudo se percebe... Liberte esse seu potencial espírito de escritor puro e desligue-se das malhas noticiosas. Elas entalham o espírito e viciam o mais íncolume dos mortais. Proteja-se! Saiba ainda que, se nos próximos textos não mostrar o seu real potencial irei denunciá-lo publicamente! Aproveito ainda para dizer que é uma pena que tenha deixado esta ideia esmorecer junto aos poucos leitores e colaboradores assíduos que de um dia para o outro se foram para outros espaços cibernéticos, possivelmente à procura de outros alimentos para o espírito! Hoje é assim, mas se colaborar, prometo que trocaremos interessantes prosas. Compreendo as suas dificuldades e compromissos, desconfio, no entanto, que o que diz seja realmente o que se passa. Mas isso também não me diz respeito. Díli, está uma pasmaceira, não se passa nada e os locais do costume abarrotam de mediocridade! I need a break! For god sake! Vou até à Austrália, banhar-me no conforto e o pouco de civilização que está mais próximo daqui. Talvez consiga dar um giro até à Samoa... sempre nos inunda as vistas com alguma coisa! Estou de partida, não sei por quanto tempo nem se vou voltar... Decidi ir tentar mais uma vez com o meu marido... Sinto, no entanto, que as coisas estão péssimas e que não há mesmo volta a dar-lhe... Os meus amigos de Caicoli foram embora, taditos, tristes e desanimados, diria mesmo with a broken heart! Ficaram de escrever mas eu, sinceramente, não sou muito destas coisas à distância... Finalizo, por agora, lembrando-lhe que aqui, neste apêndice do mundo, também nós deveremos continuar a lutar por melhorar a condição de vida humana dos que aqui co-habitam. Veja-se, por exemplo, as infâmes violações, contínuas e sem tréguas entre os compatriotas, ocorridas a todos os níveis, mesmo onde a autoridade supostamente deveria reinar: na academia da polícia. Despeço-me, até um dia destes e espero que a sua estupidez natural continue a iluminar-lhe a mente com as suas coisas básicas e até pouco interessantes. Veja lá se arranja outros nutrientes para o intelecto, que me parece ter algum potencial.

Até um dia destes!