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sexta-feira, novembro 09, 2007

Os Inocentes da Ponte

4 de Maio de 2002.
Catorze meses depois do colapso da antiga, é inaugurada a nova Ponte Hintze Ribeiro, representativa da capacidade dos portugueses em edificar construções robustas de forma rápida.

O único aspecto negativo que persiste é o facto de continuarem por punir os verdadeiros culpados pelo trágico acontecimento da noite de 4 de Março de 2001, em que um autocarro de passageiros e algumas viaturas caíram ao rio, quando a ponte derrocou.

Na altura, o Ministro da Administração Interna apresentou a sua demissão, e deu-se início a um rigoroso e exemplar processo de inquérito.

Em primeiro lugar intimou-se a Junta Autónoma das Estradas. Seguiram-se o Instituto da Navegabilidade do Douro, o Ministério do Ambiente, Direcções Regionais Disto & Daquilo, Secretários de Estado, Directores e Funcionários Superiores.

As próprias empresas de extracção de areias foram vasculhadas de fio a pavio.

Todos foram inquiridos, não tendo sido provada qualquer culpa a estas entidades.

Sou de opinião que não houve negligência nenhuma.
A melhor abordagem para se compreender o que aconteceu é utilizar a análise fria, isenta e racional dos factos, para explicar este acidente.

É matéria básica, em qualquer Cadeira de Pontes, que o que faz ruir estas estruturas são as vibrações. Quando a frequência das vibrações atinge o valor da Frequência de Ressonância, as pontes caiem!

É também sabido, desde a 2ª Guerra Mundial, que uma ponte cairá - mesmo quando concebida para o suporte o peso de inúmeros camiões cheiros de equipamentos e soldados - se por ela passar um regimento a marchar!

A explicação é simples: o facto dos soldados ao marcharem, baterem com força com os pés no chão, produz vibrações estruturais que forçam a ponte a entrar em ressonância.

Atendendo a isto, o mistério de encontrar os culpados da tragédia de Entre-os-rios, facilmente é desvendado.

- Não foram os coitados do Ministro, dos Secretários de Estado, dos Directores, dos Inspectores..., os verdadeiros culpados; esta gente não estava presente no local da tragédia, nem sequer nas redondezas.

- O argumento de que o tempo de vida útil da ponte teria sido largamente ultrapassado, é falacioso; porque (salvo muito raras excepções) geralmente o tempo de vida de uma ponte é o triplo do valor calculado pelo engenheiro que a desenhou. É verdade científica!

- Ao contrário do que se poderia pensar, os próprios areeiros ao procederem a extracções de inertes no leito do rio, junto aos pilares, só contribuíam para fortalecer a estrutura da ponte. Basta lembrarmo-nos do que acontece quando estamos na praia à beira-mar, e a areia começa a acumular-se junto aos nossos pés. Soterramo-nos mais, e corremos o risco de cair por perda de equilíbrio, uma vez que o nosso centro de massa é alterado. O mesmo aconteceu com a ponte: extrair areia junto aos pilares, só fazia com que estes não se enterrassem mais no leito do rio, mantendo a estabilidade do centro de massa da ponte, bem como o seu equilíbrio dinâmico. A favor destes industriais salienta-se ainda o facto de (ao longo de sucessivos anos) nada terem cobrado, por este serviço prestado - de forma anónima e altruísta - à população portuguesa em geral, e aos habitantes da povoação de Raiva em particular.

- Os verdadeiros culpados, foram aqueles que - provavelmente em estado adiantado de alcoolémia - ao contrário de tudo o que seria aconselhável, com os seus constantes e repetidos saltos, pinotes, danças e cânticos, fizeram com que a ponte entrasse em Ressonância e caísse: os ocupantes do autocarro !

Mas pronto, em Portugal não há nem a Coragem nem a Tradição, para perseguir e punir exemplarmente os verdadeiros culpados.

Infelizmente, estes brandos costumes permitem que inocentes funcionários públicos sejam incomodados, desviados da sua azáfama produtiva, e difamados (mesmo que por pouco tempo) por duvidosos processos de Inquérito.

Isto para não referir os infundados climas de suspeição a que frequentemente são expostos quando deixam expirar a maior parte dos processos, muitos deles com pouco mais do que meia dúzia de anos.

Para evitar que casos semelhantes se repetissem, impedindo assim que o País atravesse de vez a sua Ponte – de forma segura - para a Europa, teria apenas bastado que o Magistério Público, a Judiciária, as Polícias, os Juízes e os Políticos vilipendiados, tivessem ido no encalço dos aqui desvendados culpados. Literalmente, até ao fundo !

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