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sexta-feira, abril 03, 2009

De onde me chegam estas palavras?

"De onde me chegam estas palavras?
Nunca houve palavras para gritar a tua ausência. Apenas o coração pulsando a solidão antes de ti quando o teu rosto doía no meu rosto e eu descobri as minhas mãos sem as tuas e os teus olhos não eram mais que o lugar escondido onde a primavera refaz o seu vestido de corolas. E não havia um nome para a tua ausência. Mas tu vieste. De coração da noite? Dos braços da manhã? Dos bosques do outono? Tu vieste. E acordas todas as horas. Preenches todos os minutos. Acendes todas as fogueiras. Escreves todas as palavras. Em canto de alegria desprende-se dos meus dedos Quando toco o teu corpo e habito em ti E a noite não existe Porque as nossas bocas acendem na madrugada Uma aurora de beijos. Oh, meu amor, Doem-se os braços de te abraçar, Trago as mãos acesas, A boca desfeita E a solidão acorda em mim um grito de silêncio quando O medo de perder-te é um cordel que pisa os meus cabelos E se perde depois numa estrada deserta por onde Caminhas nua Como se estivesses triste." JP

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