sábado, outubro 30, 2010

Espaço Reservado

Uma das melhores canções portuguesas deste século...e completamente desconhecida.

Ala dos Namorados
(letra de João Monge Carlos Tê)

video

Já vais recomeçar
Não há nada de errado
Neste silêncio meu
É falta de recado
E porquê saber nem eu
Escusas de tentar
Não podes perceber
Não há nada a dizer
E é pura estupidez
Sentires que estás de fora
Será que tu não vês
Nem antes nem agora
Não podes ter ingresso
Neste meu lado
Que não tem acesso
É um espaço
É um espaço reservado

Não tem a ver contigo
É só um baú fechado
É um arrumo antigo
É o ouro afundado
Mas já que tanto insistes
Nessa canção dos tristes
Vou ter que te mentir
E dizer já passou
Foi dor foi dor do meu porvir
Que uns dias vai e vem
E tu vais ficar contente
E sentir-te melhor
A mentira inocente
Não faz mal a ninguém
E tu vais continuar
A pensar a pensar
Que podes cá entrar

Novo Poema De Joaquim Pessoa

POEMA DE AGRADECIMENTO À CORJA

Obrigado, excelências.
Obrigado por nos destruírem o sonho e a oportunidade de vivermos felizes e em paz.
Obrigado pelo exemplo que se esforçam em nos dar de como é possível viver sem vergonha, sem respeito e sem dignidade.
Obrigado por nos roubarem.
Por não nos perguntarem nada.
Por não nos darem explicações.
Obrigado por se orgulharem de nos tirar as coisas por que lutámos e às quais temos direito.
Obrigado por nos tirarem até o sono. E a tranquilidade. E a alegria.
Obrigado pelo cinzentismo, pela depressão, pelo desespero.
Obrigado pela vossa mediocridade.
E obrigado por aquilo que podem e não querem fazer.
Obrigado por tudo o que não sabem e fingem saber.
Obrigado por transformarem o nosso coração numa sala de espera.
Obrigado por fazerem de cada um dos nossos dias um dia menos interessante que o anterior.
Obrigado por nos exigirem mais do que podemos dar.
Obrigado por nos darem em troca quase nada.
Obrigado por não disfarçarem a cobiça, a corrupção, a indignidade.
Pelo chocante imerecimento da vossa comodidade e da vossa felicidade adquirida a qualquer preço.
E pelo vosso vergonhoso descaramento.
Obrigado por nos ensinarem tudo o que nunca deveremos querer, o que nunca deveremos fazer, o que nunca deveremos aceitar.
Obrigado por serem o que são.
Obrigado por serem como são.
Para que não sejamos também assim.
E para que possamos reconhecer facilmente quem temos de rejeitar.

Joaquim Pessoa

segunda-feira, outubro 04, 2010

A Dream Within A Dream by Edgar Allan Poe

Take this kiss upon the brow!
And, in parting from you now,
Thus much let me avow--
You are not wrong, who deem
That my days have been a dream;
Yet if hope has flown away

In a night, or in a day,
In a vision, or in none,

Is it therefore the less gone?
All that we see or seem
Is but a dream within a dream.

I stand amid the roar
Of a surf-tormented shore,
And I hold within my hand
Grains of the golden sand--
How few! yet how they creep
Through my fingers to the deep,
While I weep--while I weep!
O God! can I not grasp
Them with a tighter clasp?
O God! can I not save
One from the pitiless wave?
Is all that we see or seem
But a dream within a dream?

O'Neill















A meu favor

As paredes que insultam devagar
Certo refúgio acima do murmúrio
Que da vida corrente teime em vir
O barco escondido pela folhagem
O jardim onde a aventura recomeça
.


Álvaro De Campos

















Cruza as mãos sobre o joelho, ó companheira que eu não tenho nem quero ter.

Cruza as mãos sobre o joelho e olha-me em silêncio

A esta hora em que eu não posso ver que tu me olhas,

Olha-me em silêncio e em segredo e pergunta a ti própria
- Tu que me conheces - quem eu sou ...

Verde Vento

José Carlos Ary Dos Santos

...
Original é o poeta

expulso do paraíso
por saber compreender
o que é o choro e o riso;
aquele que desce á rua
bebe copos quebra nozes
e ferra em quem tem juízo
versos brancos e ferozes.
Original é o poeta
que é gato de sete vozes.
....

Alentejo - Miguel Torga















Alentejo


A luz que te ilumina,

Terra da cor dos olhos de quem olha!
A paz que se adivinha
Na tua solidão
Que nenhuma mesquinha
Condição
Pode compreender e povoar!
O mistério da tua imensidão
Onde o tempo caminha
Sem chegar!...