terça-feira, julho 24, 2012

Cristo

Há dias em que nos sentimos como Ele foi.
Maltratado.
 
  cova de iria 23Jul12 - copyright jct

Três Letras E Três Sílabas Apenas

Percorro filmes e fotos à procura da Tua imagem. São mais os outros e as coisas que aparecem neles. Pouco Te encontro. As brincadeiras dos miúdos. Os monumentos. As paisagens. As bicicletas. As praias. A bola. E Roma. Mas tu pouco. E nesse pouco vejo, mesmo no Verão, o xaile cada vez mais presente. Os Olhos cada vez mais escuros. Mais difusa. A esvair. Os Olhos cada vez mais fechados. Sabia das Tuas lágrimas interiores. De Te veres amparada. Restou o orgulho e a coragem até ao fim. Procurei o pouco que encontrei de Ti agora com estes olhos, cada vez mais turvos. Com o tempo, lembro-Te agora sobretudo por dentro deles. Na alma. Com a memória do que olhei e vi em Ti. Puro amor. Um exemplo. Lembro um grande momento, no Teu elogio ao Homem da Tua vida. Outro ser elevado. Guardo as memórias de Ti alegre nos meus olhos que não mais verão os Teus Olhos. Aqueles Olhos aos quais eu sempre quis parecer bem. Educado, agradecido, feliz. Para os quais eu fui mais longe e fiz e plantei. Os Olhos que me fizeram respeitar o infinito e interrogar o além. Mas também, os Olhos protectores que sempre me viram ingénuo e simples.
Três letras. Mãe.
Saudade. Três sílabas.
Descansam em Paz Eterna, esses Olhos,
os Olhos de Isa.

(Isabel Correia, 04Fev35 - 25Jul05)


segunda-feira, julho 23, 2012

Só Mais Uma...

...após 133 milhões (!!!) de visualizações no YouTube, mais uma ou outra visualização aqui neste sítio não fará mal nenhum:

sábado, julho 21, 2012

Quem Vê Bem...

Alberto Caeiro

Talvez quem vê bem não sirva para sentir

Talvez quem vê bem não sirva para sentir
E não agrada por estar muito antes das maneiras.
É preciso ter modos para todas as coisas,
E cada coisa tem o seu modo, e o amor também.
Quem tem o modo de ver os campos pelas ervas
Não deve ter a cegueira que faz fazer sentir.
Amei, e não fui amado, o que só vi no fim,
Porque não se é amado como se nasce mas como acontece.
Ela continua tão bonita de cabelo e boca como dantes,
E eu continuo como era dantes, sozinho no campo.
Como se tivesse estado de cabeça baixa,
Penso isto, e fico de cabeça alta
E o dourado sol seca a vontade de lágrimas que não posso deixar de ter.
Como o campo é vasto e o amor interior...!
Olho, e esqueço, como seca onde foi água e nas árvores desfolha.
Eu não sei falar porque estou a sentir.
Estou a escutar a minha voz como se fosse de outra pessoa,
E a minha voz fala dela como se ela é que falasse.
Tem o cabelo de um louro amarelo de trigo ao sol claro,
E a boca quando fala diz coisas que não só as palavras.
Sorri, e os dentes são limpos como pedras do rio.