JCT Music

domingo, maio 31, 2015

PonTe Com Tabuleiro Em Arco


Morrem pessoas. Todos os dias morrem pessoas. Há dias em que morrem pessoas que nós conheciamos. Há dias em que morrem pessoas que nos eram próximas. Não passaram nenhuma porta imaginária para outra dimensão. Morreram mesmo. Não vamos voltar a vê-las em nenhum edílico Além. Sofreram e morreram mesmo. Morreram. Não vamos voltar a ouvi-las, nem a conviver com elas. O que não lhes dissémos não vamos nunca conseguir dizer-lhes. O que não fizémos por elas, não vamos nunca conseguir fazer. Nestas alturas questionamos o sentido da Vida, as Amizades, os Amores. Tudo o que nos parece que fizémos, o que fizémos bem e o que não fizémos, ou não fizémos bem. O resumo de Nós. E parece tudo muito pequeno e vazio. Olhamos em frente e dizemos para nós próprios que os nossos dias vão passar a ser diferentes. Sem guerras nem quezilias que os dias são preciosos. Nestes dias de hoje e nos dias que hão-de vir, a Terra vai continuar a girar, o Sol a brilhar, o Tempo a passar. Um dia chega o game over e não vão haver mais vidas...e a Terra vai continuar a girar, o Sol a brilhar, o Tempo a passar. A Vida é uma ponTe com o tabuleiro em arco.

segunda-feira, maio 25, 2015

Nós Somos Assim

O Filme abaixo insere-se num Conceito Novo, recentemenTe patenteado...: O MicroVideo.

O MicroVideo é um pequeno filme cuja duração fica compreendida entre os 29 e os 31 segundos.


O MicroVideo traz consigo um outro Conceito....: A MicroCritica.


A MicroCritica é um comentário - a um MicroVideo - e cuja extensão fica compreendida entre 1 e 3 caracteres.


São exemplos...: "Ui";  "Ah"; "Ai"; "Oh"; "Nã"; "Pi"; "Ya"; ... 






domingo, maio 17, 2015

HOMO PHOTUS


Os Artistas Verdadeiros não Têm Ideologia

Dia entre pescadores. Eles a pescarem sardinha para a fome orgânica do corpo, e eu a pescar imagens para uma necessidade igual do espírito. Tisnados de saúde, os homens olham-me; e eu, amarelo de doença, olho-os também. Certamente que se julgam mais justificados do que eu, e que o mundo inteiro lhes dá razão. Mas da mesma maneira que eles, sem que ninguém lhes peça sardinha, se metem às ondas, também eu, sem que ninguém me peça poesia, me lanço a este mar da criação. Há uma coisa que nenhuma ideologia pode tirar aos artistas verdadeiros: é a sua consciência de que são tão fundamentais à vida como o pão. Podem acusá-los de servirem esta ou aquela classe. Pura calúnia. É o mesmo que dizer que uma flor serve a princesa que a cheira. O mundo não pode viver sem flores, e por isso elas nascem e desabrocham. Se olhos menos avisados passam por elas e as não podem ver, a traição não é delas, mas dos olhos, ou de quem os mantém cegos e incultos. 


Miguel Torga, in "Diário (1943)"