sábado, junho 20, 2015

Omar Khayyám

"Por que obscura magia é que esse persa longínquo manda tão diversamente sobre as nossas almas? Que potência de encantamento jaz viva na sepultura do seu tédio? 

Ah, é que real ou facticiamente, nele ou em Fitzgerald por ele, falou, melhor que em qualquer outro, a voz completa do tédio inteiro, não do tédio que está cansado de viver, mas do tédio que está cansado de ser. 

Cansado de ser, não como o Buda, que renega a vida porque é pouco, mas de outro modo — o de quem renega a vida porque é tudo."

Bernardo Soares

quinta-feira, junho 18, 2015

Bebam! Omar e Ricardo.

"O Ontem já preparou este Hoje de Loucura

O Amanhã é Silêncio, Triunfo ou Desespero

Bebe! pois não sabes de onde vem, nem por que

Bebe! pois não sabes por que vais e nem para onde"


quarta-feira, junho 10, 2015

Se Eu Tentasse...

... imitar um dos heterónimos de Fernando Pessoa, talvez escrevesse algo assim:

Lídia vem ver o rio

Hoje o teu rosto de pagã
Já não é o rosto de pagã
Hoje o teu sorriso neste fluir do tempo
Já não é o sorriso do tempo fluido
Hoje o brilho do teu olhar agora silencioso, 
Se é que há brilho no teu olhar
Já não é o brilho do olhar outrora silencioso 
Hoje as expressões do teu ser adulta
Já não são as expressões de jovem seres adulta
Hoje os teus dias dos anos que passaram distantes e ausentes e frios
Já não são como os dias dos anos que passaram frios e ausentes e distantes
Que foi Lídia, que nos aconteceu ?
Hoje o tempo em que te não vi e em que o rio corria
Foi maior do que o tempo em que te não vi
Como já te disse, "enlacemos as mãos" que o tempo passa
Experimentemos sem nos cansarmos muito, ouvindo o rio
Hoje olhemos o correr deste rio do barqueiro sombrio
O rio onde não fomos mais do que crianças
E não nos amámos
Nada sofrerás ao lembrar-te de mim, uma memória suave