quinta-feira, julho 30, 2015

"Os soldados, exaustos com o esforço e os combates, foram autorizados a descansar; muitos animais de carga, que tinham caído entre as rochas, chegaram ao acampamento seguindo as trilhas do exército. Fatigados e desencorajados como estavam os soldados após tanto empenho, uma tempestade de neve — quando a constelação de Plêiades estava em ocaso — veio deixá-los em grande pavor. O solo por toda parte estava coberto com neve alta ao amanhecer (no décimo segundo dia desde a subida dos Alpes) quando eles começavam a marchar, e à medida que a coluna se movia lentamente, o desânimo e o desespero estampavam-se em cada semblante. Então, Aníbal, que seguia à frente dos estandartes, deteve o exército num promontório que proporcionava uma extensa vista e, apontando-lhes a Itália e as planícies ao redor do Pó, bem abaixo dos Alpes, disse que eles agora escalavam não só as muralhas da Itália, mas da própria Roma; o resto do caminho seria plano ou em declive, e depois de uma, no máximo duas batalhas, eles teriam em suas mãos e sob seu poder a cidade e capital da Itália."

https://pt.wikipedia.org/wiki/An%C3%ADbal_e_os_preparativos_para_o_ataque_a_Roma

terça-feira, julho 07, 2015

Sentir Deste Marinheiro Árabe

Sinto falta do vento seco do Sul, aquele vento que se sente quando se faz parte de um lugar, algo que se recorda com saudade profunda, como a chuva quente de Agosto com a tia Leonor, a que nunca foi dada a expressar afectos, e o cheiro que deixou no ar a água a pingar na terra empoeirada, lá muito atrás na meninice, num tempo do tempo em que se estava num sítio sem ser em passagem fugaz... há alturas em que as poucas palavras que escrevo, não são palavras, são registos transparentes base de ideias de recordação de sensações, resta depois a insónia de como descrever o silêncio bom desses anos... e agora o outro silêncio de saber que aquele vento há-de continuar a existir e a soprar e a despertar em alguém o reconhecer da sua eternidade, o silêncio de quem no final entende a perenidade da dureza das coisas e a sempre intemporalidade do suave e quente vento do Sul. A memória dos Verões que passaram e dos outros que hão-de vir, agora no pecado desta certeza, quando o leve despertar do seco e quente vento do Sul sussurra a sua voz na pele sob o branco algodão da camisa... Ai como eu gostava que a preguiça não invadisse a minha escrita... também ela agora sem metafisica.

Eu NaveganTe.