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terça-feira, julho 07, 2015

Sentir Deste Marinheiro Árabe

Sinto falta do vento seco do Sul, aquele vento que se sente quando se faz parte de um lugar, algo que se recorda com saudade profunda, como a chuva quente de Agosto com a tia Leonor, a que nunca foi dada a expressar afectos, e o cheiro que deixou no ar a água a pingar na terra empoeirada, lá muito atrás na meninice, num tempo do tempo em que se estava num sítio sem ser em passagem fugaz... há alturas em que as poucas palavras que escrevo, não são palavras, são registos transparentes base de ideias de recordação de sensações, resta depois a insónia de como descrever o silêncio bom desses anos... e agora o outro silêncio de saber que aquele vento há-de continuar a existir e a soprar e a despertar em alguém o reconhecer da sua eternidade, o silêncio de quem no final entende a perenidade da dureza das coisas e a sempre intemporalidade do suave e quente vento do Sul. A memória dos Verões que passaram e dos outros que hão-de vir, agora no pecado desta certeza, quando o leve despertar do seco e quente vento do Sul sussurra a sua voz na pele sob o branco algodão da camisa... Ai como eu gostava que a preguiça não invadisse a minha escrita... também ela agora sem metafisica.

Eu NaveganTe.

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