JCT Music

segunda-feira, outubro 26, 2015

C.R.A.C

#Passando na que fora outrora a última rua daquela localidade.

"- O homem dos Seguros... já não tem aqui a loja."

#Seguros, nesta rua ? Cique ! Coincidência ? CRAC ?

- Como é que se chamava ?

"- Não sei..."

- Seria 'Cruz' ?

"Sim, Cruz. Era isso."

#Clique!

- Que idade é que tinha?

"- Ele já não era novo..."

- Devia ter mais ou menos, a sua idade ?

"- Sim tinha, mas parecia mais novo. Estava bem conservado."

#Clique novamente!

- Pois...E ainda trabalhava ?

"Sim...às vezes a filha também lá estava...a ajudá-lo..."

#Clique outra vez!

#CRAC, claro !

terça-feira, outubro 20, 2015

Água

Apenas água. Água, mãe da pureza. (O sangue que te dou é água rubra) Água de tudo. Mas água viva.
E antes que o silêncio, da água nos descubra. Água das fontes para os teus ouvidos. Água da minha mão na tua mão. Água para os veleiros adormecidos nos telhados de cada solidão. Apenas água.
E por falar em água (água de tudo, límpida e corrente), só eu sei como a água dos teus sonhos canta no coração de toda a gente. in O Que Diz Molero

domingo, outubro 11, 2015

Uma outra Lídia

“Nocturno”
Alexandre O’Neill










A borboleta azul e coruscante 
sacode o cheiro leve dos canteiros, 
e as carícias no seio consistente 
esticam o pescoço das cegonhas. 

Assim ficamos, Lídia, eróticos, 
os corpos engastando no sorriso 
das horas e das coisas, adejando 
sob o silêncio, fixo, dos astros. 

E sobre nós, os ramos, 
sacudidos pelo vento, 
largaram frutos densos.